Cartazes, censura e ‘milícia virtual’ marcam eleição em Pernambuco
Raquel Lyra e João Campos chegam ao primeiro turno tecnicamente empatados
Polarizado do início ao fim, o primeiro turno da eleição estadual em Pernambuco foi marcado por cartazes e panfletos apócrifos, com ataques pessoais e acusações contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
Os cartazes diziam diretamente ou insinuavam que a candidata à reeleição matou o marido para se eleger em 2022.
Fernando Lucena sofreu um mal súbito na manhã do primeiro turno da eleição de 2022 e faleceu de um infarto, aos 44 anos.
Raquel Lyra chegou a publicar um vídeo para comentar os panfletos.
“Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não tá mais aqui, respeite a minha dor”, disse a governadora, abatida.
No post que acompanhou o vídeo, ela disse:
“Tá difícil falar sobre isso. Mas, infelizmente, é necessário. Os ataques de ódio, que começaram nas redes sociais, agora ganharam as ruas do Centro do Recife. Vamos seguir em frente. Sem medo e sem baixar a cabeça. O tempo da opressão e da perseguição passou. E não vai voltar. Porque na política, como na vida, não vale tudo.”
João Campos (PSB), o principal adversário de Raquel, também publicou um vídeo para condenar os cartazes, cuja autoria é desconhecida.
“Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo. E quero deixar uma coisa muito clara: qualquer pessoa que tente atribuir esse tipo de prática a mim ou à minha candidatura vai responder por isso na Justiça brasileira”, disse.
Milícia digital
Do outro lado, a governadora de Pernambuco foi acusada pela campanha de João Campos de estar à frente de uma milícia digital responsável por divulgar conteúdos falsos e distribuí-los. Esse esquema teria sido financiado pela Secretaria de Comunicação (Secom) local.
O caso chegou a ficar nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF), mas nesta semana, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os autos fossem encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Censura
A Justiça Eleitoral acionou a Polícia Federal e determinou que o portal Bastidor.PE entregasse metadados, arquivos originais e identificasse como obteve os cartazes e panfletos apócrifos sobre Raquel Lyra.
A defesa do portal recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), alegando que a intimação configurava constrangimento e violação ao sigilo constitucional de fonte.
Em outro episódio, o TRE-PE determinou a remoção de publicações e a suspensão temporária do perfil no Instagram do jornalista Ricardo Antunes após a publicação de uma reportagem que questionou a relação familiar entre um desembargador eleitoral e um político ligado à campanha de João Campos.
O texto tratava de uma decisão do desembargador Marcelo Labanca, que suspendeu os efeitos de uma determinação anterior favorável à governadora Raquel Lyra.
A decisão havia concedido à candidata direito de resposta sobre peças da campanha de João Campos que questionavam sua remuneração e seu patrimônio.
O TRE-PE afirmou que a suspensão levou em consideração, entre outros pontos, a repetição de conteúdos anteriormente submetidos a ordens de remoção, a insuficiência de medidas pontuais e dificuldades para citar o jornalista em outros processos.
Raquel Lyra x João Campos
Raquel Lyra e João Campos chegam ao primeiro turno tecnicamente empatados.
No último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, o ex-prefeito de Recife superou numericamente a governadora do estado.
Apoiado por Lula, João Campos tem 45,3% das intenções de voto em primeiro turno. Raquel Lyra tem 44,8%.
Raquel Lyra e João Campos empataram com 42% das intenções de voto cada na pesquisa Quaest, divulgada na terça, 29.
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