‘Careca do INSS’ prestará depoimento, diz presidente da CPMI
Segundo senador Carlos Viana, lobista irá à comissão, apesar de decisão do STF que tornou presença facultativa
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou neste domingo, 14, que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, participará da comissão na segunda-feira, mesmo após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou sua presença opcional.
“Apesar de toda a decisão do Supremo Tribunal Federal, que permitiu facultativa, voluntária, a ida do senhor Antônio Carlos Camilo, o Careca, à CPMI, nós estamos em contato com a defesa do suspeito e ele confirmou que deseja ir à CPMI para apresentar a versão que ele tem de todo esse escândalo, de todos os fatos que estão sendo divulgados”, afirmou Viana.
O lobista foi preso pela Polícia Federal na sexta-feira, 12, por determinação do STF, após suspeitas de ameaças a testemunhas, ocultação de patrimônio em Brasília e planejamento de fuga para os Estados Unidos.
Em vídeo divulgado neste domingo, Carlos Viana comentou sobre a expectativa de colaboração do empresário:
“Nós estamos organizando um grande esquema de segurança, juntamente com a Polícia Legislativa e a Polícia Federal, para que ele seja recebido e possa falar livremente na CPMI e dizer aos brasileiros como tudo aconteceu. Nós esperamos uma colaboração voluntária para que ele exponha com clareza tudo aquilo que sabe em relação ao escândalo do INSS.”
Esquema de fraude no INSS
Antunes é apontado como operador central de um esquema de desvios em descontos de aposentados e pensionistas e, segundo as investigações, intermediava relações entre associações fraudulentas e servidores públicos. Entre 2019 e 2024, os investigadores apontam movimentação de R$ 6,3 bilhões em benefícios do INSS.
A operação Cambota, desdobramento da operação Sem Desconto iniciada em abril, também resultou na prisão do empresário Maurício Camisotti, suspeito de atuar com Antunes em associações que recebiam os valores ilegais.
Entre os bens apreendidos estão obras de arte no escritório do advogado Nelson Wilians, incluindo um quadro de Di Cavalcanti datado de 1971, e veículos de luxo no endereço de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio de Antunes, como uma Ferrari e réplica de carro de corrida pilotado por Ayrton Senna.
Segundo a PF, a investigação apura crimes de embaraço à investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução do trabalho policial. Um ex-funcionário relatou ameaças de morte feitas por Antunes para evitar delações, afirmando que ele pretendia “levantar dinheiro, fechar as torneiras, dispensar os empregados e que iria para os Estados Unidos”.
A prisão preventiva de Antunes e Camisotti ocorreu após a CPMI aprovar a quebra de sigilo bancário e telefônico do empresário, considerado um dos principais articuladores da fraude no INSS.
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