Campanhas de Lula e Flávio tentam acordo sobre WhatsApp
As equipes jurídicas dos candidatos tentarão propor ao TSE regras conjuntas para os canais de mensagens na disputa do segundo turno
Os advogados de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) planejam se reunir nesta quarta-feira, 14, para elaborar uma proposta a ser levada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é definir regras para o uso de canais de WhatsApp na campanha e reduzir irregularidades nas redes sociais. O segundo turno será em 25 de outubro.
Audiência no TSE
Nesta terça-feira, 12, as equipes participaram de audiência com o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques. Também estiveram presentes os ministros Estela Aranha, André Mendonça e Marco Aurélio Bellizze.
Segundo a Folha, os advogados vão concentrar a discussão na atuação das plataformas para moderar conteúdos, no impulsionamento irregular de publicações e na circulação de notícias falsas.
Kassio pediu que as campanhas recorram menos à Justiça. Ao abrir a sessão, afirmou que o número de ações em 2026 supera em 267% o registrado no mesmo período da eleição anterior. Ele agradeceu aos coordenadores jurídicos pela cooperação e disse que houve concordância em “muitos pontos” sobre o aprimoramento do processo eleitoral.
Disputa em torno do “Exército do Lula”
O encontro ocorreu depois de uma sequência de decisões liminares conflitantes entre Kassio e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. O tema foi o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG).
Kassio determinou o registro do canal no TSE como condição para seu funcionamento. Ele citou relatório técnico do tribunal, segundo o qual mensagens publicadas entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas a partir de 7 de outubro, o que criou uma lacuna na análise de riscos. A campanha de Flávio contabilizou 499 mensagens apagadas, três delas já classificadas pelo TSE como fake news, com ordem de remoção.
O ministro afirmou ver “traços incontroversos” de que Janones “atua em coordenação com a campanha presidencial”. Para ele, embora não fosse possível afirmar que o canal seja uma “tropa digital substancialmente dedicada à desinformação”, sua estrutura remete a isso, o que exigiria atuação preventiva.
A campanha de Lula registrou o canal nesta terça. O presidente do PT, Edinho Silva, disse que a medida foi tomada “para o canal não cair” e que a iniciativa de Janones é autônoma e desvinculada da campanha. O registro só vale após 48 horas, conforme resolução do TSE.
A defesa de Janones recorreu a Cueva para que o grupo não seja reconhecido como oficial da campanha de Lula e argumentou que Kassio não é o magistrado competente para o caso. Em entrevista na Câmara, Janones afirmou que Flávio está desesperado por ter perdido espaço nas redes e que isso poderia ter motivado a decisão.
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