“Caminho pavimentado para impeachment”
Deputado do MDB compara cenário de Lula ao de Dilma e avalia que o presidente Lula repete sinais de fragilidade política
O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou que o governo do presidente Lula segue o mesmo roteiro que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.
Em manifestação encaminhada a O Antagonista, o parlamentar disse que, apesar de ainda não haver indícios de crime de responsabilidade, o cenário político atual indica um caminho cada vez mais propício ao afastamento do chefe do Executivo.
“[O governo] Lula 3 caminha a passos largos para ter o mesmo desfecho do governo de Dilma Rousseff”, afirmou. “Embora a base do impeachment de Dilma foram as pedaladas fiscais, todo o processo se deu por questões políticas. Com baixa popularidade, economia enfraquecida e sem apoio no Congresso Nacional, o caminho do impedimento estava pronto.”
A declaração de ocorre em meio ao aumento das tensões entre o governo e o Congresso, na crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Na avaliação do parlamentar, o presidente enfrenta dificuldades crescentes no Congresso e uma estagnação econômica que contribui para o desgaste de sua imagem.
Falta caminho jurídico ao impeachment de Lula?
O deputado, no entanto, reconhece que ainda não há um elemento jurídico claro para embasar um pedido formal de impeachment. “Embora ainda não haja crime de responsabilidade no governo Lula, o caminho para um possível impeachment do presidente está mais pavimentado do que nunca.”
Ex-aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Otoni declara que a condução de um processo dessa natureza depende da articulação e do interesse do principal partido da oposição. E eis aí o desafio: “Resta saber se o partido de Bolsonaro vai comprar essa pauta. Embora pareça o caminho mais natural do PL, é necessário analisar o efeito colateral que isso pode produzir”, afirmou.
“É o perigo um político capaz administrativamente e politicamente como [Geraldo] Alckmin assumir a presidência e se fortalecer para uma eventual sucessão. Chamo isso de efeito Michel Temer, que com sua capacidade política e administrativa salvou o Brasil e só não foi presidente novamente por conta da gravação de Joesley Batista”, declarou ele.
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Comentários (2)
FRANCISCO JUNIOR
03.07.2025 18:54Em vez de se preocupar com isso, poderia se preocupar em ajudar o país, por exemplo com prisão em 2a instância, lei anti-máfia, fim dos super-salários, limitação ou extinção de emendas parlamentares, etc. . E preparar alguém decente de direita para assumir a cadeira do executivo no fim do ano que vem. Ah, mas ele é bolsonarista, não se encaixa no quesito 'decente', estamos perdidos.
Gustavo Cardoso
03.07.2025 15:33A Janja é o elemento jurídico imediato. Ela tem gabinete próprio, com servidores do quadro da Presidência, custa 4 mil reais por hora e já até representou o Brasil na Olimpíada, sem ter cargo. Mais improbidade do que isso, difícil de imaginar.