Câmara de Recife rejeita pedido de impeachment de João Campos
Foram 25 votos contrários à abertura do processo de impeachment, nove favoráveis e uma abstenção
A Câmara Municipal do Recife barrou nesta terça-feira, 3, o pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB).
Foram 25 votos contrários à abertura do processo de impeachment, nove favoráveis e uma abstenção.
Para avançar, o requerimento precisava da maioria simples dos 37 vereadores da capital pernambucana.
Campos se tornou alvo de pedido de impeachment em função da nomeação considerada irregular de um candidato aprovado em concurso público para o cargo de procurador do município.
Entenda o caso
O prefeito havia nomeado como procurador Lucas Vieira Silva, filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco.
Segundo o Metrópoles, Lucas disputou o concurso público como candidato de ampla concorrência e ficou em 63º lugar.
Porém, em maio de 2025, ele pediu à prefeitura do Recife a mudança de modalidade. Para fazer a solicitação, ele apresentou um laudo médico comprovando Transtorno do Espectro Autista (TEA), que foi confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho.
O procurador-geral do Recife, Pedro Pontes, aceitou a justificativa e publicou uma nova homologação no último dia 19 de dezembro, fazendo com que Lucas ficasse em primeiro lugar entre os candidatos com deficiência do concurso.
Foi a partir da mudança que João Campos o nomeou como procurador. A portaria assinada pelo prefeito foi publicada no último dia 20 de dezembro.
O edital do concurso estabelecia que os candidatos com deficiência deveriam apresentar no ato da inscrição o laudo médico acompanhado de declaração e avaliação biopsicossocial.
A nomeação de Lucas Vieira Silva com o laudo apresentado três anos depois prejudicou o único candidato PCD que havia se classificado na primeira homologação, o advogado Marko Venicio dos Santos.
Pedido de impeachment
Ao protocolar o pedido de impeachment, o vereador Eduardo Moura (Novo) afirmou que o ato do prefeito configurava infrações legais graves.
“Houve uma clara ‘furada de fila’ em um concurso público, com o aval do chefe do Executivo, o que caracteriza crime de responsabilidade e infração político-administrativa”, declarou o vereador do Novo.
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