Caiado resgata foto de Lula com Ortega
Pré-candidato à Presidência pelo PSD criticou perseguição a opositores e falta de eleições livres na Nicarágua
O ex-governador e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) publicou nesta terça-feira, 22, uma foto antiga do presidente Lula (PT) ao lado do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega.
Na legenda, o político goiano escreveu:
“Perseguir opositores, censurar imprensa, atacar instituições, impedir eleições livres e prender quem discorda. Na Nicarágua, esse roteiro já tem dono!”, afirmou.
A publicação foi feita em meio às declarações de Ortega de que a Nicarágua não voltará a realizar eleições.
Lula e Ortega mantinham relações próximas desde as décadas de 1980 e 90, quando eram referências de partidos emergentes de esquerda na América Latina.
As relações institucionais, contudo, se deterioraram após o ditador nicaraguense explusar o embaixador brasileiro em Manágua após Lula deixar de comparecer à celebração dos 45 anos da Revolução Sandinista e críticas feitas pelo assessor especial Celso Amorim sobre a situação política do país.
Ditadura de Ortega
“Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”.
Para Ortega, “história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. […] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão”.
O golpista que deseja prevenir o suposto golpe da oposição não explicou qual mecanismo legal sustentará a medida, mas afirmou que passará a atuar junto à Assembleia Nacional para barrar o que chama de partidos de oposição financiados pelos Estados Unidos.
Eleições já eram questionadas
A ausência de um novo pleito, na prática, não alteraria de forma significativa o cenário político nicaraguense.
Acusações de fraude nas urnas existem desde 2008, e a eleição presidencial de 2021 só ocorreu depois da prisão de todos os candidatos com condições de disputar o poder contra Ortega. Boa parte dos opositores hoje vive fora do país ou perdeu a nacionalidade nicaraguense, classificada como punição a “traidores da pátria”.
O anúncio ocorre em um momento de maior atuação dos Estados Unidos na região. Em junho, o governo americano impôs restrições de visto a mais de cem autoridades nicaraguenses, dias após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera, preso desde setembro de 2023.
Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou: “Os EUA estão ao lado do povo nicaraguense que, assim como Rivera, aspira a ver uma Nicarágua livre”.
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