Caiado diz ser “inadmissível” dúvida sobre lisura das eleições brasileiras
Pré-candidato à Presidência afirma confiar nas urnas eletrônicas e defende presença de observadores internacionais durante o pleito
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou considerar “inadmissível” qualquer tentativa de colocar em dúvida a lisura das eleições brasileiras. A declaração foi feita em meio à repercussão de uma possível missão de representantes dos Estados Unidos para acompanhar o processo eleitoral no país.
Em publicação nas redes sociais, Caiado disse confiar nas urnas eletrônicas, mas afirmou ser favorável à presença de observadores estrangeiros durante as eleições.
“Eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países, tantos quantos quisessem acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Mas considero inadmissível que qualquer país, incluindo os EUA, queira colocar em dúvida a lisura e os resultados das nossas eleições”, escreveu.
Missão americana e negativa de vistos
A manifestação de Caiado ocorreu após o Itamaraty negar os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado americano que tinham viagem prevista ao Brasil.
Riley M. Barnes e Samuel D. Samson fariam parte de uma agenda em Brasília entre 27 e 30 de julho.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a viagem teria como objetivo realizar reuniões com integrantes do governo brasileiro, líderes religiosos e representantes da sociedade civil para discutir temas como “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a missão não buscava interferir nas eleições brasileiras e classificou como “mentira sem fundamento” as acusações de que a iniciativa pretendia desacreditar o sistema eleitoral.
“Qualquer insinuação de que a visita seria uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento. Tratava-se de uma visita de rotina, em conformidade com as atribuições legais do DRL”, afirmou o porta-voz.
Debate sobre urnas eletrônicas
A negativa dos vistos ocorreu após reportagem do jornal The Washington Post afirmar que a missão americana teria como objetivo questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
O governo brasileiro avaliou que a iniciativa poderia ter outro papel que não o de observação internacional.
A discussão ganhou força após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, sobre as urnas eletrônicas. O parlamentar afirma defender a presença de observadores estrangeiros, mas nega questionar a segurança do sistema.
Leia mais: As notas de Flávio para negar que tenha questionado o sistema de votação
Lula (PT) também reagiu ao episódio e afirmou que países estrangeiros não devem interferir nas eleições brasileiras.
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, disse no sábado.
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Comentários (1)
Marian
26.07.2026 11:34Até os EUA recebem observadores internacionais. Há problema nisso?