Caiado critica proposta de Flávio Bolsonaro para adiar tarifa dos EUA
Pré-candidato do PSD afirma que sugestão apresentada pelo senador ao governo americano é "inaceitável" e cobra postura de defesa dos interesses do Brasil
O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta quarta-feira, 8, a proposta apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que os Estados Unidos adiem a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros até depois das eleições de 2026. Para o governador de Goiás, a sugestão representa um equívoco na condução das relações comerciais entre os dois países.
Durante participação na Agenda dos Presidenciáveis, promovida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília, Caiado afirmou que o pedido feito por Flávio ao governo americano é “inaceitável”.
“Você vê falhas de um candidato — e com todo o respeito a ele, do Flávio — em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação para depois da eleição. É inaceitável isso. Você tem que estar dentro de um jogo para saber qual é o peso e o significado do país”, declarou.
A manifestação ocorre um dia após Flávio Bolsonaro participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial que pode elevar em até 37,5% as tarifas sobre produtos brasileiros.
No documento entregue ao USTR, o senador argumentou que a adoção das novas taxas antes da disputa presidencial beneficiaria politicamente o presidente Lula (PT). Segundo Flávio, o adiamento evitaria que o governo transformasse a medida em um ativo eleitoral.
“As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, escreveu o parlamentar.
No evento da CNC, Caiado também ampliou as críticas à política comercial brasileira. Segundo ele, o país enfrenta pressões simultâneas de Estados Unidos, União Europeia e China. O pré-candidato citou a investigação comercial conduzida pelos americanos, possíveis barreiras sanitárias europeias e restrições impostas pelos chineses às exportações brasileiras, defendendo uma atuação mais estratégica da diplomacia brasileira diante dos principais parceiros comerciais do país.
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