Cabral anuncia voto em Lula e cita divergências “ideológicas” com Flávio
Ex-governador do Rio afirma que o petista representa suas ideias sobre distribuição de renda
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral declarou apoio nesta sexta-feira, 16, à candidatura do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cabral relembrou a convivência com o senador Flávio Bolsonaro (PL) quando ele era deputado estadual e reconheceu que mantinha uma boa relação pessoal com a família Bolsonaro.
“Eu conheço os dois. Conheço a família Bolsonaro desde a década de 1980, quando Jair se elegeu vereador e meu pai também era vereador na capital, mas tínhamos pouca convivência. Quando fui candidato ao governo do estado, Flávio se elegeu deputado estadual pela segunda vez. Eu me elegi governador. O partido dele era o PP, que me apoiava. Inclusive, apoiei e elegemos Dornelles para senador pelo Rio de Janeiro.
Depois, vou chegar mais próximo daqui, da Lava Jato. Quando fui preso, Jair foi muito cordial com meu filho, que era deputado federal. O gabinete dele era muito próximo do de Jair, eram vizinhos. Marco Antônio, meu filho, relatava que Jair era sempre muito cordial, perguntava por mim e dava forças a ele. Não tenho nada a falar da família Bolsonaro do ponto de vista pessoal, da minha relação com eles.“
Cotas e visão de mundo
Apesar da boa relação pessoal com a família Bolsonaro, Cabral afirmou que suas divergências com Flávio são de natureza política e ideológica, especialmente em relação às políticas de cotas raciais.
“Mas vamos para a parte política, filosófica. Quando eu era presidente da Assembleia Legislativa, chegou uma mensagem do governo criando uma cota nos vestibulares das universidades públicas. A Assembleia, presidida por mim, aprovou uma emenda incluindo a cota racial. Depois que a medida se tornou lei, Flávio entrou na Justiça contra as cotas raciais nas universidades públicas do estado. Perdeu.
Em 2011, fui o primeiro governador a estabelecer cotas raciais para concursos públicos. Mais uma vez, Flávio foi à Justiça. Veja a minha visão de mundo: o Brasil passou por um processo de exploração humana, de genocídio, com a escravização. Depois que a escravidão foi abolida, não houve políticas compensatórias para os descendentes. Pior: veio o racismo, que entrou na sociedade brasileira em todas as classes. Para combater isso, aprendi, nos Estados Unidos, que as cotas são muito importantes. A minha filosofia é incompatível com a forma como Flávio vê o mundo.”
Apoio a Lula
Ao declarar apoio a Lula, Cabral também relembrou a aproximação com o petista no segundo turno das eleições de 2006 e mencionou projetos realizados durante o período em que os dois estiveram politicamente próximos.
“Então, assim, é por isso que eu voto no Lula. Porque o Lula representa tudo o que eu penso em termos de distribuição de renda, de um país mais igualitário”, afirmou.
Cabral foi condenado a penas que, somadas, chegaram a cerca de 400 anos de prisão em processos relacionados à Operação Lava Jato.
Ele governou o Rio de Janeiro entre 2007 e 2014.
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Comentários (1)
Marian
16.10.2026 18:41O grupo condenado na Lava Jato continua bem unido não é?