Cabo Gilberto rejeita voto distrital misto articulado por Motta
Líder da oposição afirma que decisão foi tomada após consulta à bancada; proposta altera a forma de escolha dos deputados
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), declarou ser contrário à mudança do sistema eleitoral para o voto distrital misto. A manifestação foi publicada na noite desta quinta-feira, 29, após o parlamentar consultar os integrantes da bancada que lidera.
“Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrários à mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto”, escreveu.
A resistência do deputado ocorre em meio à articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com partidos do Centrão para alterar o modelo de escolha dos parlamentares. A proposta pode reduzir o peso dos chamados puxadores de votos, mecanismo que beneficiou diretamente o PL nas eleições deste ano.
Os dois deputados federais mais votados do país em 2026 pertencem à legenda: Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu 3.119.318 votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) obteve 3.038.438. As votações expressivas ajudaram o partido a conquistar cadeiras adicionais em Minas Gerais e São Paulo. Nikolas contribuiu para a eleição de outros 13 deputados em Minas, enquanto Pavanato ajudou a garantir outras sete vagas em São Paulo.
O resultado eleitoral consolidou o PL como a maior bancada da Câmara. A legenda elegeu 121 deputados para a legislatura que começa em fevereiro de 2027, 24 a mais do que na composição eleita em 2022.
No sistema atual, proporcional de lista aberta, os votos recebidos por um candidato também entram no cálculo das vagas conquistadas pelo partido ou pela federação. Com isso, parlamentares com votação elevada podem contribuir para a eleição de colegas que receberam menos votos individualmente.
A proposta do voto distrital misto prevê que metade das cadeiras seja preenchida por candidatos eleitos em distritos e a outra metade por meio de listas partidárias. Nesse formato, a votação individual de nomes populares teria influência diferente na distribuição das vagas, reduzindo a capacidade de puxar outros candidatos.
O acordo articulado por Motta prevê uma transição a partir de 2030 e a implementação integral do novo modelo em 2034. A discussão ganhou força depois do resultado das eleições de outubro, que ampliou a bancada do PL e alterou a distribuição de forças na Câmara.
A mudança ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional. Por se tratar de uma PEC, são necessários os votos de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.
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