Bruno Henrique é denunciado pelo MP por fraude em competição esportiva
Promotores mencionam suposto favorecimento do jogador e irmão em partida disputada em 2023
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou denúncia contra o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por suposta participação em esquema de apostas esportivas, segundo o Metrópoles.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) consideraram que o atleta teria combinado receber um cartão amarelo para beneficiar apostadores.
“Nos termos em que será adiante detalhado, a presente denúncia tem por objeto a imputação de crimes de fraude a resultado ou evento associado a competição esportiva (art. 200 Lei nº 14.597/2023), bem como de crimes de estelionato praticados em desfavor de pessoas jurídicas que atuam como agentes operadores de quota fixa, nos termos da Lei nº 14.790/20″, diz trecho da denúncia.
No documento, os promotores mencionam um suposto envolvimento do atacante em um esquema para forçar um cartão amarelo durante jogo contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 2023. De acordo com a denúncia, Bruno Henrique trocou mensagens com o irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, dizendo que receberia o cartão.
Caberá à Justiça do DF decidir se tonará o atleta réu no processo.
Em abril, a Polícia Federal (PF) havia indiciado Bruno Henrique e mais nove pessoas pelos crimes de estelionato e fraude em competição esportiva.
Conversa
Eis um trecho de um dos diálogos entre Bruno Henrique e Wander:
Wander perguntou a Bruno Henrique: “O tio você está com 2 cartão no brasileiro?”
“Sim”, respondeu o jogador.
Wander continuou: “Quando [o] pessoal mandar tomar o 3 liga nós hein kkkk”
Bruno Henrique diz a ele sobre qual jogo receberia o terceiro cartão.
“Contra o Santos”, afirmou o atacante.
Na sequência, Wander fez nova pergunta: “Daqui quantas semanas?”
Bruno Henrique respondeu: “Olha aí no Google”
Wander: “29 de outubro. Será que você vai aguentar ficar até lá sem cartão kkkkkk”
Bruno Henrique: “Não vou reclamar. Só se eu entrar forte em alguém”
Wander então finaliza: “Boua já vou guardar o dinheiro investimento com sucesso”.
Operação
Em novembro do ano passado, a PF e o Ministério Público do Rio de Janeiro conduziram uma operação na qual Bruno Henrique era um dos alvos.
O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) informou que a Operação Spot-fixing apurava “possível manipulação do mercado de cartões” e que entre os alvos da operação estão jogador e apostadores.
A operação policial envolveu mais de 50 agentes federais que executaram 12 mandados de busca e apreensão em várias localidades, incluindo endereços no Rio de Janeiro e cidades mineiras como Belo Horizonte, Vespasiano, Lagoa Santa e Ribeirão das Neves.
Cartão amarelo
Durante a partida, o jogador foi advertido aos 50 minutos do segundo tempo por uma falta cometida em Soteldo. Após a advertência, Bruno Henrique protestou contra a decisão do árbitro e acabou expulso.
Entre os locais visados no Rio estão o Centro de Treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, e a residência do atleta na Barra da Tijuca.
“A investigação teve início a partir de comunicação feita pela Unidade de Integridade da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De acordo com relatórios da International Betting Integrity Association (IBIA) e Sportradar, que fazem análise de risco, haveria suspeitas de manipulação do mercado de cartões na partida do Campeonato Brasileiro”, diz em nota o GAECO/MPRJ.
A IBIA alertou para um volume anômalo de apostas relacionadas aos cartões recebidos por Bruno Henrique durante o confronto contra o Santos. Conforme as apurações indicam, essas apostas teriam sido realizadas por pessoas próximas ao jogador.
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