Brasil terá primeiro hospital “inteligente” em São Paulo
Instituto promete revolucionar o atendimento de alta complexidade, com investimento de R$ 2 bilhões no complexo do Hospital das Clínicas
A Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com o governo de São Paulo, o Ministério da Saúde e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), formalizou um acordo de cooperação técnica para a criação do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI).
Com investimento previsto de quase R$ 2 bilhões, o instituto será o décimo a integrar o complexo do Hospital das Clínicas, será o primeiro hospital inteligente do País, concebido sob um conceito de sustentabilidade e inovação.
O objetivo é transformar o atendimento de alta complexidade, reduzindo significativamente o tempo de diagnóstico e tratamento para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), além de consolidar um centro de excelência em saúde digital, pesquisa e formação.
O projeto, coordenado pela professora Ludhmila Abraão Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, tem previsão para ser concluído em três anos.
Tecnologia e sustentabilidade na assistência médica
O ITMI será um centro de vanguarda, incorporando tecnologias avançadas como inteligência artificial, internet das coisas, análise de grandes volumes de dados (big data) e telessaúde. Sua infraestrutura contemplará ambulâncias conectadas via 5G, automação hospitalar e sistemas preditivos de gestão assistencial, integrando prontuários eletrônicos para otimizar o fluxo de atendimento. Com 800 leitos focados em emergência clínica, a unidade tem o propósito de ser uma referência para atividades de pesquisa e desenvolvimento de novas metodologias.
O projeto arquitetônico, com 150 mil m² de área construída em terreno cedido pelo governo paulista, adjacente ao HC, segue padrões internacionais de sustentabilidade, segurança e inovação. A construção inclui práticas avançadas em logística interna, prevenção de infecções hospitalares e preparação para eventos de desastre e pandemias, priorizando um ambiente acolhedor e focado no bem-estar do paciente e das equipes.
Impacto nacional e colaboração institucional
A concepção do ITMI, desenvolvida em um ano e meio, representa um avanço para o atendimento de alta complexidade no Brasil. A professora Ludhmila Hajjar destacou a mudança na lógica do atendimento, para proporcionar uma diminuição expressiva no tempo de resposta e na supressão de etapas de triagem: “A concepção de todo este projeto começou há apenas um ano e meio e tem a vantagem de ser um modelo que poderá ser replicado em escala nacional. Mostra como o SUS transcende fronteiras políticas e ideológicas”, disse ao Jornal da USP.
O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, ressaltou o caráter público e colaborativo do projeto, enfatizando o apoio de diferentes esferas governamentais para sua concretização e financiamento. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, afirmou que o novo instituto promoverá uma revolução na medicina brasileira, influenciando o SUS, as políticas de formação profissional e as diretrizes curriculares com a incorporação da tecnologia da informação e inteligência artificial.
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