“Brasil saberá sempre defender sua democracia”, diz Moraes
Ministro disse que o país sabe se proteger de "inimigos internacionais" e "nacionais"
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 3, que o Brasil “sempre saberá defender sua democracia” de “inimigos nacionais” e “internacionais”, durante cerimônia de inauguração de seu retrato na galera de presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo O Globo.
“O TSE deu mostra de que só tem uma missão: a grande missão de realizar as eleições, de mostrar ao povo brasileiro que aqueles que a população brasileira escolhe serão empossados. Pouco importa quais são e quais serão os inimigos da democracia e o estado democrático de Direito. Sejam inimigos nacionais sejam inimigos internacionais, o Brasil sempre saberá defender a sua democracia”, disse.
Moraes presidiu a Corte eleitoral entre 2022 e 2024, sendo sucedido pela ministra Cármen Lúcia.
Em seu discurso, a Cármen Lúcia afirmou que o “Brasil teve a sorte de ter um juiz operante, eficiente e trabalhador” para “enfrentar com todas as suas forças tudo que fosse necessário para garantir que aquelas eleições acontecessem como aconteceram”.
O evento contou com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias.
Moraes, contudo, não mencionou a possibilidade de ser punido pelo governo Trump por ações relacionadas a cidadãos americanos.
Lula sobre Moraes
O presidente Lula (PT) voltou a falar em público sobre a possibilidade de Moraes se tornar alvo de sanções do governo americano, pela interpretação de que atentou contra a liberdade de expressão.
“Primeiro, é inadmissível que um presidente de qualquer país do mundo dê palpite sobre a decisão da Suprema Corte de um outro país. Se você concorda ou você não concorda, silencie, porque não é correto você dar palpite, não é correto você ficar julgando as pessoas”, disse Lula, que distribui palpites pelo mundo todo sobre outros governos, durante entrevista coletiva convocada para falar bem de seu governo.
“Eu já tive o meu passaporte suspenso nos Estados Unidos. Eu acho que os Estados Unidos precisa apenas compreender que respeito à integridade das instituições de outros países é muito importante. É muito importante, porque nós achamos que um país não pode ficar se intrometendo na vida do outro, querendo punir um outro país. Isso não tem cabimento”, reclamou.
O petista disse que, no caso de Moraes, por enquanto o que há é “fala de pessoas”, mas ele garantiu que “o Brasil vai defender não só o seu ministro, mas defender a Suprema Corte”.
“O que é lamentável é que um deputado brasileiro, filho do ex-presidente [Jair Bolsonaro] está lá a convocar os Estados Unidos para se meter na política interna do Brasil. É isso que é grave, é isso que é uma prática terrorista, é isso que é uma prática antipatriótica. Um cidadão que é deputado renuncia ao seu mandato, pede licença de seu mandato para ir ficar tentando lamber as botas do Trump e de assessor do Trump pedindo intervenção na política brasileira”, disse o petista, em referência ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Então, não é possível aceitar isso. É só ler a entrevista na Veja que vocês vão saber de quem que eu estou falando. Isso, sim, é desrespeito ao Brasil. Isso sim é provocação. Esse cidadão pensava isso da Suprema Corte quando mentiram a meu respeito? Você conhece alguma fala dele questionando a Suprema Corte? Não. O pai dele, quando nega a Justiça Eleitoral, não nega os votos que seus filhos receberam, só nega o dele. Não nega o voto dos senadores que foram eleitos, só nega o dele. Então, é preciso que haja o mínimo de bom senso. Se essa gente pensa que vai ganhar consciência da sociedade com mentira, é um ledo engano. Eu tenho dito publicamente. Nós temos consciência de que a verdade precisa vencer na sua disputa política para que a gente não esteja vendo acontecer o que está acontecendo neste país, o que está acontecendo em outros países”, seguiu.
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