“Brasil está gastando o que não devia gastar”, diz Tarcísio
Governador de São Paulo prevê "ano difícil", que poderá dificultar a arrecadação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou as políticas econômicas do governo Lula (PT), em discurso no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira, 23.
Tarcísio destacou a diferença das medidas econômicas adotadas pelo seu governo com as pautas apresentadas pela pasta econômica chefiada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“O Brasil não está indo bem do ponto de vista fiscal. É um país que está gastando muito. Está gastando o que não devia gastar”, disse o governador.
Aos secretários municipais de saúde presentes na plateia, Tarcísio disse que 2025 será um “ano difícil“. Na visão do governador, a “economia vai desacelerar“, o que, segundo ele, pode dificultar a arrecadação.
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Inflação, recessão e fuga de investimentos
Os dois próximos anos do governo Lula não indicam uma mudança positiva, segundo apontam economistas.
“Os investidores não acreditam que o governo vai fazer qualquer coisa importante para reduzir despesas ou pelo menos fazer com que elas parem de crescer. Isso gera pressão inflacionária. E uma parte grande do problema tem a ver com a política de aumento real [acima da inflação] do salário mínimo, que indexa gastos obrigatórios, transferências sociais”, disse José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, em entrevista ao Estadão.
Segundo Camargo, parte do ajuste fiscal que o governo não está disposto a fazer vai ocorrer via aumento da inflação, porque isso diminui a dívida pública em termos reais. “É um calote disfarçado, num certo sentido. Você está diminuindo o valor da dívida [com a inflação mais alta]. Os possuidores da dívida, aqueles que comparam títulos com taxa de juros fixa lá atrás, vão perder”, explicou.
Bancos e agências de investimentos já trabalham com a perspectiva de recessão técnica, após dois trimestres consecutivos de contração do PIB.
No exterior, os investidores não enxergam o Brasil como um terreno fértil para alocarem seus recursos.
“Ninguém fala do Brasil hoje. A gente não está no radar de ninguém”, afirmou David Vélez, cofundador e presidente do Nubank.
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Comentários (1)
Marian
23.01.2025 20:04Na verdade, gasta o que não tem, né?