Brasil apresenta argumentos na CIJ sobre alegações de “genocídio” em Gaza
Governo Lula aderiu em julho processo movido pela África do Sul em que acusa governo israelense de violar obrigações internacionais
O Brasil publicou nesta sexta-feira, 19, seus argumentos no caso da Corte Internacional de Justiça (CIJ) em que a África do Sul acusa Israel de “genocídio” na Faixa de Gaza.
O governo Lula decidiu aderir à ação em julho, e alegou cumprimento de obrigações da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, da qual o país é signatário. Na ocasião, o Ministério israelense das Relações Exteriores classificou a decisão do Brasil como uma “profunda falha moral”.
No documento de 33 páginas publicado na sexta, o Brasil evita acusar Israel diretamente de genocídio, diferentemente da África do Sul, e defende que a CIJ precisa reavaliar a jurisprudência sobre esse crime.
“A Corte deve dizer de maneira categórica se há intenção genocida ou não. Isto é, deve demonstrar, com base em todas as provas, que a única conclusão razoável é que há intenção genocida, ou, ao contrário, que a única conclusão razoável é que não há intenção genocida nos ataques sistemáticos contra a população palestina na Faixa de Gaza”, afirma o texto brasileiro.
A declaração de intervenção do Brasil fundamenta-se no Artigo 63 do Estatuto da Corte, que permite a Estados parte de uma convenção intervir em casos sobre interpretação do tratado. Apesar de não ser parte no conflito nem no processo, o país ficará juridicamente vinculado à interpretação que a CIJ der sobre a Convenção do Genocídio.
O governo brasileiro afirma que a intervenção se baseia na sua condição de signatário da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948, apresentando interpretação própria dos artigos I, II e III da convenção. A CIJ informou que África do Sul e Israel foram convidados a apresentar observações sobre a manifestação do Brasil.
A África do Sul apresentou a ação em 29 de dezembro de 2023, acusando Israel de violar obrigações da Convenção do Genocídio em ataques contra palestinos. Desde então, a Corte emitiu medidas provisórias, incluindo ordens para que Israel adote ações de prevenção de genocídio.
Com a intervenção brasileira, o país passa a integrar a lista de Estados que participam do processo. Já haviam solicitado intervenção países como Colômbia, Líbia, México, Palestina, Espanha, Turquia, Chile, Maldivas, Bolívia, Irlanda, Cuba e Belize.
Lula X Israel
Desde o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, Lula tem criticado abertamente as ações do governo israelense.
Em declaração em 3 de junho, o petista afirmou:
“(Israel) vem dizer que é antissemitismo. Precisa parar com esse vitimismo e saber o seguinte: o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio. É a morte de mulheres e crianças que não estão participando de guerra.”
A afirmação foi uma resposta à Embaixada de Israel no Brasil, que criticou Lula por acreditar em desinformação proveniente do Hamas sobre o conflito.
Dois dias antes dessa declaração, o presidente havia afirmado:
“O que estamos vendo é um exército altamente militarizado matando mulheres e crianças. Isso não é uma guerra, é um genocídio.”
Nessa mesma ocasião, Lula leu uma nota oficial do Itamaraty que condenava os planos de Israel para a construção de assentamentos na Cisjordânia.
O ministério expressou sua desaprovação ao plano nos “mais fortes termos”, destacando sua “flagrante ilegalidade sob a perspectiva do direito internacional”.
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Comentários (3)
Jorge Irineu Hosang
20.09.2025 15:12A Lista de Países participantes dispensa comentários!! Eu quase nem li o texto até o final. A trupe dos Narco-comunistas sempre anda junta e reunida!! Me arrisco até a dizer que no meio das 33 páginas do documento, há uma receita de bolo transcrita, porque essa gente não tem nem argumentos, nem QI para mais que isso...
Ailton
20.09.2025 13:34Israel says 'Gaza is burning' as it starts ground offensive Israeli forces have labeled Gaza City a "dangerous combat zone." A UN probe concluded that Israel is committing genocide in the Palestinian enclave, a finding Israel rejected. DW has the latest. https://www.dw.com/en/israel-says-gaza-is-burning-as-it-starts-ground-offensive/live-74005780
Ailton
20.09.2025 13:31A crítica de Lula a Israel é a mesma que a de muitos outros llideres e organizações . As ações de Israel impedem uma conclusão diferente .