Braga Netto quer barrar transmissão ao vivo de interrogatórios
Advogados afirmam que exibição em tempo real promove “espetacularização” e prejudica os réus
A defesa do general Walter Braga Netto (foto) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os interrogatórios dos oito réus do núcleo central da suposta tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não sejam transmitidos ao vivo pela TV Justiça.
Os depoimentos estão marcados para começar na segunda-feira, 9, no plenário da Primeira Turma, por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Os advogados afirmam que a exibição em tempo real promove “espetacularização” e prejudica os réus, que estarão em momento de autodefesa sob escrutínio público.
“Com o devido respeito, promove a espetacularização deste processo […] servindo apenas para maximizar a exposição do caso”, diz o pedido.
A defesa reconhece a natureza pública do processo, mas argumenta que a publicidade não exige transmissão ao vivo. Diz ainda que as oitivas de testemunhas já foram acompanhadas pela imprensa, sem exibição ao vivo, e que os vídeos serão disponibilizados posteriormente no canal do STF no YouTube.
Os advogados citam uma decisão do STJ que barrou a transmissão do julgamento de Suzane von Richthofen e referências do ministro Gilmar Mendes à espetacularização de processos penais.
Único réu preso preventivamente, Braga Netto deve participar por videoconferência.
Bolsonaro convoca apoiadores
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou seus apoiadores a assistirem ao depoimento que prestará ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, na próxima semana.
“O que aconteceu em 2022, com toda a certeza, será falado por mim quando ao vivo estiver no Supremo, os cinco ministros na minha frente, e cobrando. Vale a pena assistir. Conto com a audiência de vocês. Não vou lá para lacrar, para desafiar quem quer que seja”, afirmou nesta sexta-feira, 6, durante evento do PL Mulher em Brasília.
O interrogatório integra a ação penal contra o chamado “primeiro núcleo” da trama golpista de 2022, que inclui Bolsonaro e outros sete réus.
Moraes não descarta a possibilidade de estender os depoimentos para além da próxima semana.
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