Braga Netto há 80 dias na prisão
“Ele ficou indignado com a denúncia, pois é inocente", afirma defesa do general
O general Walter Braga Netto, há 80 dias detido em uma sala da Vila Militar, na Zona Oeste do Rio, tem uma rotina marcada por poucas visitas e banhos de sol supervisionados, desde que foi acusado de tentar da um golpe de estado ao final do governo de Jair Bolsonaro.
Em total isolamento e com acesso restrito a dispositivos eletrônicos, o general tomou conhecimento das acusações contra ele, feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio de sua defesa.
“Ele ficou indignado com a denúncia, pois é inocente. Está inconformado, pois se encontra preso com base em uma mentira”, afirma o criminalista José Oliveira Lima, sobre a reação do cliente.
1ª Divisão do Exército, no Rio
Braga Netto, general de quatro estrelas, é o de maior patente entre os envolvidos. Ele é também o único a ser mantido em uma sala de Estado Maior da 1ª Divisão do Exército, no Rio — uma unidade do Comando Militar do Leste, que ele comandou até 2019.
Esse local, um cômodo adaptado dentro do edifício principal da Vila Militar, dispõe de TV, banheiro exclusivo, geladeira e ar-condicionado, conforme relato de fontes próximas ao militar. Quem o visita não pode levar celular, sendo obrigado a deixar o aparelho em um compartimento fora da sala.
Reforço na segurança
A chegada do general, ex-Ministro da Defesa, da Casa Civil e interventor no Rio de Janeiro, ao quartel provocou um reforço nas medidas de segurança. Braga Netto é monitorado dia e noite e necessita ser escoltado por policiais militares durante seus banhos de sol — os quais ele tem direito diariamente.
As visitas são limitadas a familiares e advogados, e qualquer exceção precisa ser aprovada por Moraes. Uma dessas exceções foi a visita do atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, em 7 de fevereiro, onze dias antes de a PGR formalizar a denúncia. Contudo, essa visita não se deu por uma questão de prestígio, mas sim como parte de um procedimento habitual, conforme Tomás Paiva relatou a interlocutores.
O encontro, que durou cerca de 15 minutos, foi meramente protocolar e com pouca conversa. O comandante perguntou ao general se ele estava bem de saúde e se tinha acesso à sua defesa e à família. Braga Netto não teria feito nenhuma reclamação.
‘PT desde pequeninho’
Mensagens reveladas pela Polícia Federal indicam que Braga Netto incentivou ataques nas redes sociais ao general Tomás Paiva. Segundo os investigadores, o objetivo era pressionar os militares que se opunham a aderir ao esquema. Ele enviou um texto a um capitão expulso do Exército, dizendo que ele “nunca valeu nada” e “parece até que é PT desde pequenininho”, e concluiu com: “É verdade. Pode viralizar.”
Em nota, o Exército afirmou que os militares detidos estão “isolados” e recebem “assistência religiosa, médica e psicológica”, além de “cumprir rigorosamente as condições estabelecidas pelas autoridades competentes”. “Por questões de segurança orgânica, não fornecemos informações relativas aos horários, rotinas ou à quantidade de militares responsáveis pela segurança dos presos nas diversas situações”, diz a nota.
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