Boulos chama união de governadores de direita de “consórcio antipatriótico”
Reunião é criticada por aliados do governo federal, que veem motivação eleitoral e risco de intervenção estrangeira
A megaoperação policial no Rio de Janeiro desencadeou uma disputa narrativa entre o governo federal e a oposição. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, classificou a aliança dos chefes estaduais como um “consórcio antipatriótico”.
Ele argumentou que “governadores de extrema-direita se reuniram para atacar o governo federal e defender a posição de Trump que qualifica o narcotráfico como terrorismo. Não é uma definição ingênua: é a base retórica que os EUA tem usado para justificar intervenção armada na América Latina. Chamaram esse encontro de “consórcio da paz”. Na verdade é um consórcio antipatriótico, que pretende atiçar intervencionismo estrangeiro contra o Brasil”.
Boulos teve o pedido de um minuto de silêncio “por todas as vítimas dessa operação no Rio de Janeiro”, ao tomar posse como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, desaprovado por 59,8% dos cariocas e por 50,1% dos brasileiros, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta sexta-feira, 31.
Na última quinta-feira, 30, governadores ideologicamente à direita se reuniram para manifestar apoio ao governador fluminense, Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro. Como resultado, o grupo anunciou a criação do ‘Consórcio da Paz’, uma aliança destinada a articular medidas contra organizações criminosas. Aliados do presidente Lula veem apenas motivação eleitoral movimento, enquanto a pauta da segurança pública assume relevância e antecipa o que deve ser o tema principal nas eleições de 2026.
Acusações de intervencionismo e a PEC da Segurança esnobada
Para o governo federal, os governadores atuam para expor o Brasil a possíveis intervenções do governo de Donald Trump. Segundo aliados de Lula, essa conduta visa incentivar uma ofensiva dos EUA contra a soberania brasileira, que, nos últimos meses, têm voltado suas atenções para a América Latina, fazendo do combate ao narcotráfico a justificativa para ações militares.
Para a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), “ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina”.
A base governista na Câmara criticou o fato de que esses mesmos líderes estaduais se opuseram à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança. Essa PEC, enviada ao Congresso, prevê constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), estabelecendo diretrizes mínimas para os órgãos de segurança em todo o país.
Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara, disse que os governadores “preferem o uso político da barbárie e transformam a tragédia em palanque eleitoral”. Ele completou dizendo que a união era uma “encenação”.
Gleisi enfatizou que a segurança pública exige planejamento e seriedade: “Segurança pública é uma questão muito importante, que não pode ser tratada com leviandade e objetivos eleitoreiros. Combater o crime exige inteligência, planejamento e soma de esforços”, disse.
Leia também: Crusoé: Maioria achou minuto de silêncio de Boulos “inapropriado”
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Comentários (4)
Denise Pereira da Silva
01.11.2025 08:19O vocabulário dos Odoricos Paraguaçus da esquerda é infinito quando se trata, sobretudo, de falar muito para não dizer nada.
Marian
31.10.2025 19:40Consórcio? Só se for anticrime.
ROGERIO BANDEIRA DE GOUVEA MACHADO
31.10.2025 17:18Anti patriótico e soberania, e a PEC para eles deixarem tudo nas mãos das ongs e do CV e PCC. Estão brincando com o.pais.
Isabela Corrêa
31.10.2025 16:50Engraçada essa preocupação do Boulos. O Lula queria que a Ucrania entregasse uma parte do territorio para acabar com a guerra. Era pro Lula aceitar entregar o Rio para não ter guerra.