Bolsonaro nega ter conversado com ex-assessor sobre minuta do golpe
Ex-presidente afirmou rejeitar "qualquer possibilidade de falar em minuta de golpe ou uma minuta que não esteja enquadrada constituição brasileira"
O ex-presidente Jair Bolsonaro (foto) disse não ter conversado com o ex-assessor Filipe Martins sobre uma suposta minuta de golpe de Estado em reunião no Palácio do Alvorada, após as eleições de 2022 em durante oitiva nesta terça, 10, no Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, perguntou sobre um encontro entre Bolsonaro e Martins, acompanhados de um jurista, na residência oficial da Presidência.
“Bolsonaro: Para tratar de minuta, não. Eu lembro que ele teve lá… Várias vezes ele esteve no Palácio do Alvorada, não foi uma vez só não. Raras vezes conversei com ele. Ele não é uma pessoa adequada para tratar de minuta, seja qual for.
Moraes: Ele você diz o….
Bolsonaro: Filipe Martins
Moraes: Filipe Martins.
Bolsonaro: Se bem que… eu digo uma coisa, né. Quando se fala em minuta, dá a entender que é minuta do mal. Da nossa parte, tá, quando se fala em minuta do mal, conspiração, eu sempre tive ao lado da Constituição. Então, eu refuto qualquer possibilidade de falar em minuta de golpe ou uma minuta que não esteja enquadrada constituição brasileira.”
Campanha de 2022
Bolsonaro também disse ter sido prejudicado nas eleições de 2022.
Moraes perguntou sobre as frases do ex-presidente acusando fraudes nas urnas eletrônicas ou de que os ministros do STF teriam praticado desvios de conduta.
Bolsonaro então complementou: “Por ocasião das eleições, acredito que foi um pouco desfuncional. Eu não pude, por exemplo, fazer live do Palácio do Alvorada. Eu tinha que ir na casa de um conhecido para fazer uma live”.
Ele também reclamou de não poder usar imagens como presidente em sua campanha pela reeleição em 2022.
“Eu não pude, por ocasião do horário eleitoral gratuito, usar as imagens do 7 de setembro, usar as imagens minhas na ONU, usar imagem do outro candidato [Lula] em uma comunidade do Rio de Janeiro usando o gorro do CPX. Eu não podia usar imagens do enterro da rainha Elizabeth. Eu não podia, basicamente, fazer nada. Quase tudo era proibido“, afirmou o ex-presidente.
“Houve decisão também dizendo que eu não podia baixar o preço do combustível, como se eu fosse baixar na canetada isso aí. Eu fui acusado de muita coisa, inclusive de pedófilo durante esse período”, disse.
Jair Bolsonaro argumentou que o petista Lula não tinha as mesmas limitações.
“O outro lado podia tudo, até me acusar de genocida. Então tudo isso aconteceu. Quando eu não pude usar imagens do Lula defendendo o aborto ou ao lado de ditadores, isso prejudicou a minha campanha.”
“Eu queria mostra também imagem dele em 2009, defendendo o Irã enriquecer urânio a mais de 30% para fins pacíficos, segundo ele. Eu fui tolhido. Mas o mais prejudicial para mim foi não poder usar imagens do 7 de setembro”, disse Jair Bolsonaro.
“Com todo o respeito, acredito que isso tudo pesou contra a gente.”
Ele também falou que as “páginas da direita” foram derrubadas por desinformação.
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