Bolsonaro diz ter “esperança” de ajuda externa e fala em TSE “isento” em 2026
Em ato na Paulista, o ex-presidente chamou ao trio elétrico a mãe de Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira que pichou estátua da Justiça
Durante ato neste domingo, 6, na Avenida Paulista, em São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, criticou o Judiciário e disse esperar ajuda do exterior.
Bolsonaro chamou ao trio elétrico a mãe e a irmã de Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira que ficou presa por dois anos após pichar a estátua da Justiça durante os atos.
“Não tenho adjetivo para qualificar quem condena uma mãe de dois filhos por um crime que ela não cometeu”, afirmou, chamando a pena de “suplício”.
Ré por tentativa de golpe de Estado, Débora está em prisão domiciliar há dez dias.
Em discurso de cerca de 25 minutos, Bolsonaro disse que o que “os canalhas querem não é me prender, é me matar”.
“Sou um espinho na garganta deles”, afirmou. “Se eu estivesse no Brasil, seria preso na noite de 8 de janeiro.”
Disse ainda que “só um psicopata para falar que aquilo foi uma tentativa armada de golpe”.
“Isenção no TSE”
Bolsonaro também acusou o Judiciário de ter favorecido Lula nas eleições de 2022.
“A mão pesada beneficiou o outro lado”, disse, acrescentando que espera um Tribunal Superior Eleitoral mais “isento” em 2026, quando a corte será presidida por Kassio Nunes Marques, ministro indicado por ele ao STF.
“Nós temos como sair dessa. Ano que vem o TSE terá um perfil completamente de isenção e podemos voltar a confiar nas eleições no ano que vem. O atual sistema busca cada vez mais tirar da cédula eleitoral do ano que vem as liderança de direita. O Caiado tá aqui inelegível. Vai recuperar a elegibilidade dele, se Deus quiser. Eu estou inelegível, porque me reuni com embaixadores. Eu não me reuni com traficantes no Morro do Alemão, como o Lula fez.”
A fala de Jair Bolsonaro confirma a esperança de sua família de que as mudanças na composição do Tribunal Superior Eleitoral em agosto de 2026, meses antes da disputa pela presidência da República, contribuam para que a Corte atenda a seu pedido e reverta a inelegibilidade a que foi condenado.
“A nova configuração do TSE para 2026 não vai nos privilegiar, mas vai ser muito mais equilibrada do que com Alexandre de Moraes”, disse Eduardo Bolsonaro em dezembro de 2024 ao Metrópoles. “Não vai ter só gente que Bolsonaro indicou. Terá o ministro Toffoli, que muitas vezes é mais equilibrado que Cármen Lúcia. Muito menos ideológico. Dos três ministros do STF no TSE, teremos Kassio Nunes, Dias Toffoli e André Mendonça”, completou.
Toffoli, que paralisou por quatro meses em 2019 as investigações das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro, foi blindado contra a CPI da Lava Toga com ajuda da família Bolsonaro naquele mesmo ano, quando Flávio e Jair pressionaram parlamentares pela retirada de assinaturas do requerimento de criação da comissão, encabeçado pelo senador Alessandro Vieira.
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Ajuda de fora
Ao tentar falar brevemente uma frase em inglês, Bolsonaro citou o caso de um pipoqueiro e de um sorveteiro processados pelos atos de 8 de janeiro.
“Eu não falo inglês, uma grande falha da minha formação, mas quero dar um recado aqui para o mundo, e, depois, eu faço a tradução para vocês.”
Ele também afirmou ter “esperança de ajuda de fora”. Segundo disse, a Justiça americana julgará em breve o caso de Filipe Martins, ex-assessor internacional de seu governo.
Sobre o filho Eduardo Bolsonaro, deputado autoexilado nos Estados Unidos, disse: “Faltou um filho meu aqui. O 03. Fala inglês, espanhol, árabe. Tem contato com pessoas importantes no mundo todo”.
Bolsonaro também elogiou os presidentes Donald Trump (EUA) e Nayib Bukele (El Salvador), além da francesa Marine Le Pen, líder do partido Reunião Nacional, que foi tornada inelegível por cinco anos.
O ex-presidente declarou ainda que não se arrepende de suas ações no governo: “Se tomei alguma decisão equivocada, não foi por má-fé. Foi por vontade de acertar”.
Ato com governadores
A manifestação foi organizada pelo pastor Silas Malafaia e contou com sete governadores aliados: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Jr. (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO), Jorginho Mello (PL-SC), Mauro Mendes (União-MT) e Wilson Lima (União-AM).
O evento teve início por volta das 14h e foi o primeiro grande ato de apoio a Bolsonaro desde que o STF aceitou a denúncia da PGR contra o ex-presidente por participação na tentativa de golpe de Estado.
Além de Bolsonaro, apenas Tarcísio discursou entre os governadores.
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Comentários (1)
Fabio B
06.04.2025 20:32Ficar cadelando por “ajuda externa” é patético. Desde quando o Brasil virou protetorado de outro país? Pedir interferência estrangeira porque não se aceita o próprio fracasso político não é apenas mau-caratismo, é uma afronta direta à soberania nacional. Isso não é defesa da democracia, é submissão covarde travestida de patriotismo. Vindo de quem bradava “Brasil acima de tudo”, a hipocrisia é tão gritante quanto vergonhosa.