Bolsonaro alega “certa paranoia” em audiência de custódia
Ex-presidente afirmou que estava com 'alucinação' de que tinha alguma escuta na tornozeleira
O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou na audiência de custódia ter sofrido uma “certa paranoia” quando usou ferro de solda para queimar a caixa da tornozeleira eletrônica na madrugada do sábado, 22.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (pregabalina e sertralina); que tem o sono ‘picado’ e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento“, diz o termo de audiência de custódia, em que o ministro do STF Alexandre de Moraes aparece como relator.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia“, segue o documento.
“O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite. Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação.”
Escuta na tornozeleira
“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão.”
Bolsonaro pôde encontrar-se com os advogados antes de falar com a juíza auxiliar, por videoconferência.
“O depoente afirmou que não houve rompimento da cinta. Afirmou, ainda, que havia rompido anteriormente a cinta em uma ocasião em que precisou realizar uma tomografia. Sobre a vigília convocada por seu filho, afirmou o depoente que o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga“, diz o documento.
Coquetel de medicamentos
A juíza perguntou quais médicos estavam receiando remédios para Jair Bolsonaro.
Bolsonaro então deu o nome de três profissionais e afirmou que um deles estaria prescrevendo a
sertralina, “sem se comunicar com os demais médicos“.
A sertralina é um antidepressivo usado também para o controle de ansiedade.
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