Base de Lula encolhe e apoio a pautas do governo despenca no Congresso
Pesquisa mostra que o Planalto perdeu força na Câmara e no Senado. Já partidos do Centrão ampliam autonomia em relação ao Executivo
O governo Lula chega à segunda metade do mandato com uma base parlamentar significativamente menos fiel. Levantamento da consultoria Ética Inteligência Política mostra que o índice de apoio às propostas prioritárias do Planalto caiu de forma expressiva entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período deste ano, evidenciando as dificuldades do Executivo para construir maiorias estáveis no Congresso.
A retração foi mais acentuada no Senado. O percentual de alinhamento às matérias de interesse do governo caiu de 75% para 38,5% em um ano. Na Câmara dos Deputados, o índice também recuou, passando de 58% para 38,1%.
O estudo aponta que o Planalto tem dependido cada vez mais de negociações caso a caso, em vez de contar com uma coalizão consolidada. Segundo a consultoria, o cenário reflete o fortalecimento do protagonismo do Congresso e a redução da dependência dos partidos de centro em relação ao Executivo.
Senado concentra maior desgaste
Foi na Casa Alta que o governo registrou as perdas mais significativas. Nenhuma bancada ampliou seu grau de alinhamento com o Planalto na comparação entre os dois períodos analisados.
O PT manteve apoio integral às orientações do governo. Já PSB e Novo preservaram os mesmos níveis de fidelidade registrados anteriormente. Nas demais siglas, porém, houve recuo.
PSD, União Brasil e Podemos reduziram o alinhamento de 80% para 40%. PP, Republicanos, MDB, PL e Novo passaram de 60% para 40%, enquanto o PDT caiu de 100% para 80%.
Câmara muda menos, mas governo perde espaço
Na Câmara, a queda foi mais moderada, embora o governo também tenha visto sua capacidade de mobilização diminuir.
Em alguns partidos, como o PSD, o percentual de votos favoráveis ao Planalto até aumentou, passando de 40% para 60%. Ainda assim, o crescimento das bancadas de legendas como PL e Podemos após a janela partidária reduziu o peso proporcional dos votos alinhados ao governo no conjunto da Casa.
O PL, por exemplo, manteve o mesmo índice de apoio às matérias do Executivo, mas ampliou sua bancada de 87 para 97 deputados, alterando o equilíbrio das votações.
Congresso mais independente
Na avaliação da Ética Inteligência Política, o enfraquecimento da base governista está ligado ao avanço da autonomia do Legislativo, impulsionada pelo aumento do controle parlamentar sobre o Orçamento.
Com 61,4 bilhões de reais previstos em emendas parlamentares em 2026 e execução acelerada por causa das eleições, partidos do Centrão passaram a depender menos do Palácio do Planalto para atender suas bases eleitorais. Como consequência, cada projeto passou a exigir negociações específicas, sem garantia de apoio automático.
A consultoria avalia que esse movimento representa uma mudança no funcionamento da relação entre Executivo e Legislativo, substituindo o antigo modelo de coalizões permanentes por acordos pontuais em torno de cada pauta.
Para a consultoria, a perda de alinhamento no Congresso tende a produzir efeitos também na disputa eleitoral.
A avaliação é que Lula precisará ampliar as alianças políticas para sustentar sua candidatura à reeleição, sobretudo em Estados onde partidos de centro não estiverem alinhados automaticamente nem ao PT nem ao PL. Nesse ambiente, acordos regionais e negociações específicas devem ganhar ainda mais peso durante a campanha.
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