Barroso fala sobre sua ligação com EUA ao comentar sanções
Presidente do STF negou "caça às bruxas" no Brasil e afirmou que "todos os sentimentos em relação" aos Estados Unidos "são bons"
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso (foto), comentou abertamente nesta quarta-feira, 17, a respeito da sanções aplicadas pelo governo Trump a ministros da Corte.
Barroso, que recentemente teve o visto americano revogado pelos EUA, destacou sua ligação com o país.
“E eu me senti motivado a fazer isso. Até porque, como é público e notório, eu tenho muitas ligações com os Estados Unidos onde estudei, vivi e trabalhei em diferentes épocas da minha vida.
Fui estudante de intercâmbio em Michigan com uma adorável família de quem sou amigo até hoje. Gente simples e conservadora. Eu julgo as pessoas pelo caráter, e não pela ideologia. Estudei nos Estados Unidos, fiz meu mestrado na Universidade de Yale, trabalhei num escritório em Washington, voltei e fiz meus estudos de pós doutorado na Universidade de Harvard.
Tenho hoje uma posição – tenho, ainda tenho – de colaborador acadêmico na Kennedy School. E estou fazendo essa descrição, não é para, é, apresentar currículo. Porque eu já passei de todas as fases da vida de que precisa apresentar currículo.
Mas apenas para deixar documentado todos os meus sentimentos em relação ao país são bons. Tenho relações acadêmicas, amigos queridos, admiro pessoas e admiro instituições“, afirmou, durante a abertura da sessão plenária desta quarta, 17.
O ministro exaltou o trabalho da Primeira Turma no julgamento da trama golpista, que foi concluído na última quinta, 11, e negou que haja uma “perseguição política ou de caça às bruxas” no Brasil.
“A ideia de que tenha sido uma farsa, de que seja perseguição política ou de caça às bruxas, é uma narrativa que não corresponde aos fatos. E, portanto, acho que é meu papel como presidente do Supremo restabelecer a verdade dos fatos”.
O Antagonista transcreve trecho do discurso de Barroso:
“Não podia começar essa sessão sem cumprimentar os integrantes da Primeira Turma. A começar pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que foi concluído na última quinta-feira, bem como os ministros Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino, Cristino Zanin – que presidiu a sessão – pela conclusão organizada, pública, transparente desse julgamento.
Difícil e delicado, acho que seria em qualquer lugar do mundo. Mas acho que foi conduzido com serenidade, com transparência e acho mesmo que nós demos um bom exemplo para o mundo. Inclusive de pluralismo e de diferentes visões de mundo, que faz parte da vida democrático.
Portanto, é possível exagerar o que isso representou para a institucionalidade brasileira. Queria verdadeiramente cumprimentá-los e ao Procurador-Geral da República, por um trabalho excepcional.
E gostaria, é, prezados colegas, ainda, e quem sabe para encerrar esse assunto, fazer uma última defesa do trabalho do Supremo Tribunal Federal em relação a esse tema. E virarmos essa página, eu assim penso, e retomarmos a vida do país com calma e tranquilidade.
Eu nunca vi abordado aqui, prezados colegas, mas acho que não gostaria de virar as costas a esse problema, a questão das sanções.
E eu refleti muito, porque acho que há uma imensa incompreensão, talvez direcionada. E acho que o tribunal, um pouco pelas circunstâncias do recato judicial, não se manifestou publicamente sobre o que está acontecendo.
E eu me senti motivado a fazer isso. Até porque, como é público e notório, eu tenho muitas ligações com os Estados Unidos onde estudei, vivi e trabalhei em diferentes épocas da minha vida.
Fui estudante de intercâmbio em Michigan com uma adorável família de quem sou amigo até hoje. Gente simples e conservadora. Eu julgo as pessoas pelo caráter, e não pela ideologia. Estudei nos Estados Unidos, fiz meu mestrado na Universidade de Yale, trabalhei num escritório em Washington, voltei e fiz meus estudos de pós doutorado na Unviersidade de Harvard.
Tenho hoje uma posição – tenho, ainda tenho – de colaborador acadêmico na Kennedy School. E estou fazendo essa descrição, não é para, é, apresentar currículo. Porque eu já passei de todas as fases da vida de que precisa apresentar currículo.
Mas apenas para deixar documentado todos os meus sentimentos em relação ao país são bons. Tenho relações acadêmicas, amigos queridos, admiro pessoas e admiro instituições.
Por isso, eu queria fazer esse pronunciamento que vai além do argumento óbvio da soberania para agregar alguns elementos de justiça, de boa fé e de verdade, que superem algumas narrativas que não correspondem aos fatos.
Eu acredito no que estou fazendo, porque há uma fagulha divina na verdade. E, portanto, eu gostaria de falar sobre a verdade pelo menos tal qual nós a vemos aqui.
E portanto, a narrativa correta, no Brasil não existe censura. Simplesmente não é um fato. Eu afirmaria que vigora a mais plena liberdade de expressão. Eu sou uma pessoa que leio de tudo, todos os dias e eu recebo diariamente – como muitos de nós possivelmente – manifestações em veículos de imprensa e em blogs com as críticas mais ácidas ao governo, mais ácidas ao Congresso e, sobretudo, ao Supremo Tribunal Federal.
Muitas delas grosseiras e ofensivas. Todos esses veículos continuam no ar. Sem qualquer tipo de abalo. Lê quem quer, acredita quem quer. A ideia de que no Brasil existe censura, simplesmente não corresponde à realidade de qualquer pessoa que esteja no país prestando atenção no que aconteça.
As remoções de conteúdo, segundo mais uma vez explicou o ministro Alexandre de Moraes, se referiam à crimes, crimes de ameaça, não crimes de opinião.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
18.09.2025 10:24O que sei é que classificar os baderneiros desorganizados, sem liderança e objetivos claros (além da destruição de bens públicos, a eterna ignorância do brasileiro em considerar o que é público como de ninguém) do dia 08/01/2023 como golpistas é uma grande forçada de barra, mas essencial para fazer a ligação entre Bolsonaro e uma tentativa de golpe de estado, senão haveriam apenas conjecturações, conversas e nada de concreto. Basta pensarem, como estaria a situação sem o badernaço do dia 08/01? Ainda assim haveria acusação, inqueríto e julgamento? Basta dizer que Ramagem estava fora do governo desde março de 2022.
Luis Eduardo Rezende Caracik
17.09.2025 17:02Acho que foi um belo e apropriado discurso. De minha parte, e com duas exceções de ministros, confio STF e particularmente no Ministro Barroso e em tudo o que diz neste discurso. Mas entendo que há gente, infelizmente, que prefere confiar nos bolsonaros e num bando de deputados e senadores que não valem o sal que comem.
Liana
17.09.2025 17:00... Nem sente...