Bancos têm um mês para zerar a dívida de quem deve até R$ 100 após novo programa de renegociação de dívida apresentado em 2026
Entenda como o Novo Desenrola Brasil usa FGTS, fundo de garantias e juros limitados para renegociar dívidas sem anular contratos
O novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, foi apresentado em 2026 como um conjunto de ações para enfrentar o alto nível de endividamento das famílias brasileiras, reorganizando o acesso ao crédito, facilitando a renegociação de débitos e estimulando práticas mais responsáveis no sistema financeiro.
O que é o novo Desenrola Brasil e qual é o foco principal do programa?
A ponto central do programa é a renegociação de dívidas, com medidas para facilitar acordos entre devedores e instituições financeiras, oferecendo juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90%. O foco recai sobre famílias, estudantes do Fies, empresas e produtores rurais, sempre visando reduzir a inadimplência sem anular contratos.
É possível renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, rotativo e contratos do Fundo de Financiamento Estudantil. Uma calculadora será utilizada para simular valores e descontos, permitindo que o devedor saiba antecipadamente quanto pode economizar ao aderir ao programa.
Como funciona a renegociação de dívidas no Desenrola 2.0?
O Desenrola 2.0 prioriza famílias com renda de até cinco salários mínimos, garantindo condições padronizadas de taxa máxima de juros e descontos mínimos em dívidas de cartão, cheque especial e outros produtos. Há também a “desnegativação” automática de débitos de pequeno valor, até R$ 100, retirando o nome dos cadastros de inadimplência, sem extinguir o débito.
As instituições financeiras devem destinar 1% do valor total renegociado para ações de educação financeira, como orientação sobre orçamento doméstico, uso consciente do crédito e planejamento de longo prazo. Essa exigência busca reduzir a reincidência do endividamento excessivo e melhorar o comportamento financeiro das famílias.

Quando o FGTS pode ser usado para pagar dívidas?
O programa permite utilizar parte do saldo do FGTS para quitar débitos, até 20% do valor disponível ou até R$ 1.000, valendo sempre o maior limite. A estimativa é liberar até R$ 8,2 bilhões, principalmente para dívidas de crédito ao consumo, como cartão e cheque especial, conhecidas pelos juros elevados.
Os recursos do FGTS não passam pelo trabalhador: a Caixa Econômica Federal transfere o valor diretamente ao banco credor, abatendo ou liquidando a dívida indicada. Assim, troca-se uma dívida cara por pagamento à vista, reduzindo o comprometimento da renda mensal e abrindo espaço para reorganizar o orçamento.
Quais são as principais proibições ligadas a apostas e crédito?
O novo Desenrola Brasil inclui restrições ao uso de crédito em jogos de aposta, para evitar que o alívio das dívidas seja comprometido por atividades de alto risco financeiro. Quem aderir ao programa também fica proibido de realizar apostas online por 12 meses, reduzindo a chance de novo endividamento.
Entre as medidas específicas previstas, destacam-se as seguintes restrições para operações relacionadas a jogos de azar:
Bloqueio de envio de crédito para casas de apostas
A medida impede que valores de crédito sejam direcionados a plataformas de apostas, ajudando a reduzir endividamento e uso impulsivo do dinheiro.
Limites para cartão e Pix parcelado em jogos online
Restringir cartão e Pix parcelado dificulta apostas financiadas por dívida, evitando que o jogador comprometa renda futura em jogos online.
Proibição de apostar por 12 meses
Quem aderir ao programa fica impedido de apostar durante um ano, criando uma pausa obrigatória para reorganizar hábitos e finanças.
De onde vêm os recursos e quais impactos são esperados?
O governo utiliza um fundo de garantias para a renegociação de dívidas, formado por valores “esquecidos” em instituições financeiras, estimados entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões, além de um aporte de até R$ 5 bilhões do Tesouro Nacional. Esse fundo cobre parte das perdas dos bancos em caso de calote, incentivando descontos maiores.
Estudos sobre a primeira edição do Desenrola indicaram queda relevante da inadimplência entre famílias de baixa renda, embora o efeito tenha durado cerca de 18 meses. Com o Desenrola 2.0, espera-se ampliar esse impacto ao combinar desnegativação parcial, uso do FGTS, limites de juros e educação financeira, aliviando o orçamento das famílias e reduzindo a exposição a riscos como as apostas online.
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