“Atuação típica de crime organizado”, diz Vieira sobre Vorcaro
Relator da CPI do Crime Organizado, ele voltou a defender que o dono do Master seja investigado pela comissão do Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE, foto) afirmou nesta quarta-feira, 4, que as notícias recentes sobre a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro só comprovam que o grupo ligado ao dono do Banco Master tem uma atuação “típica de crime organizado de altíssima periculosidade”.
Relator da CPI do Crime Organizado, ele voltou a defender que o dono do Master seja investigado pela comissão do Senado.
“As notícias recentes, com prisão de Vorcaro e parceiros flagrados combinando ações violentas e corrupção de agentes públicos, deixam claro o óbvio: é atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade e pode/deve ser objeto de atuação da CPI no Senado”, escreveu Vieira no X.
A milícia de Vorcaro
Ao solicitar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal revelou a existência de um “núcleo de intimidação e obstrução de justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades, ligado ao Banco Master.
As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha uma estrutura de vigilância e coerção privada, chamada de “A Turma” para obtenção ilegal de informações sigilosas e intimidação de críticos do conglomerado financeiro.
“Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de DANIEL VORCARO para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça. Quanto a esse último aspecto, foram identificados registros indicando que DANIEL BUENO VORCARO teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”
Para a PF, Vorcaro tinha sua própria “milícia”.
“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a ‘Turma’), como comprovado nesta representação policial.”
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