Ataques e bate-bocas marcam audiência com Marina Silva na Câmara
Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima foi convocada para falar sobre o número de queimadas no país e outros temas
A audiência pública com a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara, nesta quarta-feira, 2, foi marcada por ataques de deputados à titular da pasta e bate-bocas entre parlamentares governistas e oposicionistas.
A ministra foi convocada pelo colegiado para prestar esclarecimentos sobre diferentes temas. Entre eles, os impactos ambientais decorrentes da construção de uma nova rodovia em Belém; o número de queimadas no país; um recorde de degradação na Amazônia Legal; multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); demora na aprovação de novos defensivos agrícolas; e sua participação no Acampamento Terra Livre em 10 de abril.
Em determinado momento, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), autor de um dos requerimentos de convocação aprovados, chamou a ministra de “adestrada”.
“E eu até usei a expressão adestramento numa sessão passada, e não foi uma ofensa pessoal, porque repetições buscando por resultado é adestramento, e não tem nenhuma ofensa pessoal a esse fato. Um atleta de alto rendimento que faz repetições é adestrado. O comportamento da ministra vai nessa direção“, declarou o parlamentar, que é vice-líder da oposição na Câmara.
Posteriormente, disse que ela utiliza uma estratégia de retórica que é a mesma do grupo terrorista Hamas.
“Esse modus operandi da ministra não é algo isolado, isso não é dela, isso não é de um pequeno grupo, isso é uma conspiração global. Esse modo da ministra, a estratégia dela, é a mesma que as Farcs colombianas usam, é a mesma que o movimento revolucionário da América Central usa, é a mesma tática, a mesma estrutura que o Hamas e o Hezbollah usam”, pontuou.
Ainda de acordo com o deputado, Marina “fugiu” do Acre, estado onde nasceu e pelo qual foi senadora, e tem dificuldades com o agronegócio porque “nunca trabalhou”.
“A senhora tem dificuldades com o agronegócio, porque a senhora nunca trabalhou, a senhora nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho”, disse.
O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) afirmou que a fala de Evair foi “extremamente ofensiva a uma ministra de Estado quando trouxe a palavra adestramento”. “Adestramento é utilizado para animais“, ressaltou. O congressista do PP, porém, defendeu o uso do termo na ocasião.
“Eu sabia o que aconteceu na Casa Alta deste país, aqueles que gostam de abrir a porteira para o negacionismo, para a destruição do meio ambiente, para o machismo, para o racismo, depois do que aconteceu ali, as pessoas iriam achar muito normal fazer o que está acontecendo aqui, no nível piorado. Mas acho que Deus me ouviu e eu estou em paz”, disse Marina em resposta às declarações de Evair sobre ela.
“Eu prefiro sofrer injustiças do que praticá-las“, pontuou. Ela falou ainda ter sido “terrivelmente agredida” por Evair e que tem “trabalhado muito, mas a história só é enxergada por aqueles que a querem enxergar”. “Existe uma tecnologia chamada negacionismo, não vê a história, não vê os fatos”.
Bate-boca
A líder do Psol na Câmara, Talíria Petrone (Psol-RJ) e o presidente da comissão, Rodolfo Nogueira (PL-MS), protagonizaram um dos bate-bocas.
A deputada acusou o deputado de “falar um monte de mentiras” na audiência. “O senhor não pode falar algo que é contra a ciência, contra os dados, ainda mais sentado na cadeira de presidente”, afirmou.
“A senhora me chamou de mentiroso aqui. Falou que eu proferi mentiras. Eu vou dar a oportunidade para a senhora pedir desculpa para mim”, rebateu Rodolfo Nogueira.
“Eu não vou pedir desculpa”, respondeu Talíria Petrone na sequência.
Segundo a deputada, Rodolfo Nogueira estava falando “num lugar onde o regimento diz que ele não pode falar”, se referindo ao posto de presidente do colegiado. Conforme a parlamentar, para falar da maneira como estava falando à ministra, ele precisaria passar o posto temporariamente para outro deputado.
“Consertar o avião voando”
Na audiência, Marina defendeu o trabalho do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), disse que o aumento de queimadas no ano passado “se deu em função de um extremo climático que não afetou apenas o Brasil, afetou o mundo inteiro”, e criticou a atuação do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na área ambiental.
“Em relação a vossa excelência dizer que precisa de mais ação, eu diria que vossa excelência ficou durante um tempo, e todos nós aqui, muito perplexos diante de ação nenhuma, que era o governo anterior. Não tinha ação nenhuma. Não criava unidade de conservação, tentava intimidar o Ibama e o ICMBio para não fiscalizar, não cumprir o seu papel”, declarou Marina.
“Eu acho engraçado que nesses dois anos e meio, tudo que não foi feito no governo anterior é cobrado como se a gente já tivesse que fazer. Eu costumo dizer, presidente, que tivemos que consertar o avião voando. As pessoas não tem ideia de como aquele ministério estava desmontado. Todas as cobranças que são feitas à quinta potência nesses dois anos de retorno do presidente Lula, parece que nunca foram feitas no governo anterior”, falou também.
Rodolfo Nogueira criticou as explicações da ministra para a ocorrência das queimadas no Brasil.
“Aqui a senhora trouxe uma explicação das queimadas jogando a culpa em São Pedro, ministra. E o ministério nada faz no crescimento das queimadas e do desmatamento. Desmatamento este praticamente liberado pelo seu Ibama para construir a estrada da COP. Vergonhoso, ministra”, disse o congressista.
Marina ainda citou um trecho da Bíblia, utilizado por Bolsonaro em várias ocasiões, para rebater alegações sobre o desmatamento no país.
“Tem um provérbio bíblico que diz ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. De que ela liberta? Da mentira. A primeira coisa que a verdade liberta é da mentira. Porque o desmatamento em 2024 teve uma queda de quase 46%, foi 45,7%, em relação ao ano de 2022”, afirmou.
Discussão no Senado
Marina havia estado pela última vez no Congresso no dia 27 de maio, quando participou de uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.
No evento, ela discutiu com os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Marcos Rogério (PL-RO). “Se ponha no seu lugar”, chegou a dizer à ministra o parlamentar do PL, que preside a comissão.
Além disso, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) disse que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Marina Silva exigiu um pedido de desculpas. Como não foi atendida, ela se retirou da audiência.
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Comentários (2)
Ana Maria
03.07.2025 17:41Esses parlamentares sao muito desrespeitosos. Chamam a ministra para ofensas. Esse nao deveria ser o nível do parlamento. Ainda que eu nao goste das atitudes da ministra e nem do partido ao qual se aliou, penso que ela deveria ser tratada com respeito
Andre Luis Dos Santos
02.07.2025 15:09Marina e um ZERO! Uma "politica profissional" com ZERO de vergonha na cara, ao se associar com esse governo desse ParTido de MERDA depois da campanha imunda da qual foi vitima em 2014. Mas, sabe como é, a TETA publica e muito farta. Não dá pra ficar sem uma boquinha, não é mesmo. Tomara que os paulistas tomem vergonha na cara e não votem nela novamente, se sair candidata ao que quer que seja por São Paulo em 2026. Deixem essa figura se aposentar.