As visitas de Moraes ao dono do Banco Master
Ministro do STF esteve na mansão de Vorcaro, em Brasília, pelo menos duas vezes desde novembro de 2024, segundo o portal Metrópoles
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, esteve na mansão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Brasília, pelo menos duas vezes, registrou o Metrópoles.
A primeira visita do magistrado ao banqueiro teria ocorrido em novembro de 2024. Segundo o portal, Moraes teria acompanhado o resultado da eleição americana, na qual Donald Trump foi eleito para o segundo mandato, em uma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos raros.
O segundo encontro ocorreu, ainda segundo o Metrópoles, no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, Vorcaro teria apresentado ao ministro o então presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
A defesa de Vorcaro negou o encontro após a publicação da reportagem, por meio da seguinte nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro nega que tenha ocorrido o referido encontro na residência do Sr. Vorcaro envolvendo as pessoas mencionadas na reportagem. A informação é falsa. A defesa repudia a divulgação de versões sem confirmação. Daniel Vorcaro permanece colaborando com as autoridades competentes e reserva-se o direito de adotar as medidas legais cabíveis diante da divulgação de informações inverídicas.”
O escritório da mulher de Moraes e o Master
A venda do Master ao BRB foi barrada em meio à constatação de inconsistências nos ativos do banco de Vorcaro.
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O escritório Barci de Moraes, no qual trabalha Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, foi contratado pelo Banco Master em 2024.
Por mês, o escritório da esposa de Moraes recebia 3,6 milhões de reais do banco de Daniel Vorcaro.
O documento aponta que o escritório da família de Moraes foi contratado para atuar na defesa dos interesses da instituição financeira junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
Além de Viviane, trabalham no escritório os dois filhos do ministro do STF.
Diz o contrato:
“Para a execução do objeto do presente contrato, a contratada realizará: organização e a coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária (em outras palavras, a Polícia Federal), órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Cade (órgão de defesa da concorrência) e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesse do contratante).”
O escritório Barci de Moraes firmou um contrato de 129 milhões de reais por três anos com o Master.
Os pagamentos, no entanto, foram interrompidos com a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Até outubro de 2025, último mês antes da intervenção pelo BC, o contratou gerou ao escritório de advocacia pelo menos 79 milhões de reais.
Mensagens trocadas entre Vorcaro e sua equipe indicam que os pagamentos para o escritório de Viviane Barci de Moraes eram prioridade e “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, segundo o jornal.
A investigação da PF
O caso tramita no STF desde dezembro, após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do processo. A investigação busca detalhes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB, interrompida pelo Banco Central, e envolve operações que teriam movimentado cerca de 12 bilhões de reais em carteiras de crédito falsas.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos até 40% acima da média do mercado, considerados irrealistas pelos investigadores.
Há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema, que também teria contado com elos societários, familiares ou funcionais para inflar artificialmente ativos do banco.
Em março, o BRB chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
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