Arqueólogos encontram cidade perdida na Floresta Amazônica utilizando tecnologia de laser que atravessa a vegetação
A imagem de uma Amazônia vazia, ocupada apenas por pequenos grupos isolados, vem sendo substituída por evidências de sociedades complexas
A imagem de uma Amazônia vazia, ocupada apenas por pequenos grupos isolados, vem sendo substituída por evidências de sociedades complexas.
Com o uso de tecnologia a laser, sobretudo o LiDAR, arqueólogos identificam redes de assentamentos, obras de engenharia e manejo sofisticado do ambiente sob a densa floresta.
Como a tecnologia a laser transformou a visão sobre a Amazônia?
Antes, a arqueologia amazônica dependia quase só de escavações pontuais, em áreas pequenas e de difícil acesso. O LiDAR permitiu mapear rapidamente grandes extensões, revelar padrões de ocupação e conectar vestígios antes vistos como isolados.
Esses dados mostram estradas, plataformas e áreas agrícolas integradas em sistemas amplos de assentamentos. Assim, a floresta passa a ser entendida como paisagem construída, resultado de uso contínuo e planejado do território por sociedades pré-colombianas.

O que é LiDAR e por que ele é decisivo na arqueologia amazônica?
LiDAR, sigla de Light Detection and Ranging, emite pulsos de luz laser a partir de aeronaves ou drones. Os feixes atravessam a vegetação, retornam após atingir o solo e permitem gerar modelos tridimensionais detalhados do relevo.
Na Amazônia, o recurso de “remover” digitalmente a floresta e visualizar apenas o terreno revela terraços, valas e plataformas invisíveis a olho nu. Entre as principais vantagens para a pesquisa arqueológica destacam-se:
Capacidade de mapear regiões extensas e remotas que seriam inacessíveis por terra.
Tecnologia de baixo impacto que dispensa desmatamento para localizar estruturas antigas.
Detecção de desníveis sutis no relevo, revelando valas e plataformas invisíveis a olho nu.
Integração rápida de dados com imagens de satélite para entender redes de assentamentos.
Como o LiDAR revelou centros urbanos antigos no Vale do Upano?
No Vale do Upano, na região andino-amazônica do Equador, o LiDAR identificou uma rede densa de sítios interligados. Plataformas residenciais, praças, estruturas cerimoniais e áreas agrícolas indicam um sistema urbano com milhares de habitantes.
Modelos digitais do terreno mostram vias retilíneas conectando núcleos habitacionais e plataformas elevadas em áreas estratégicas. Esses padrões sugerem planejamento urbano, controle de enchentes e gestão territorial de longo prazo em ambiente tropical úmido.
A Amazônia antiga pode ser considerada um ambiente intocado?
As evidências apontam que grande parte da Amazônia foi intensamente manejada por populações indígenas pré-coloniais. Solos de terra preta, canais, estradas e “florestas de recursos” revelam paisagens moldadas por intervenções humanas continuadas.
Esses sistemas articulavam vilas, cidades médias e grandes centros conectados por rios e caminhos terrestres. O manejo seletivo de espécies úteis à alimentação, medicina e construção reforça o papel ativo dessas sociedades na formação da biodiversidade atual.
LiDAR revela ciudades antiguas en la Amazonía ecuatoriana: plataformas, caminos y canales de hace 2.500 años prueban que existió una civilización agrícola avanzada en el Valle de Upano. Una historia que resurge desde la selva. pic.twitter.com/CEYvSJpAhf
— Rodrigo Vázquez (@rodvaN) June 24, 2025
Quais são os próximos passos para o uso de LiDAR na região amazônica?
A tendência é ampliar o mapeamento sistemático em diferentes países da bacia amazônica, cobrindo bacias hidrográficas inteiras. Isso permitirá comparar modelos de urbanismo em floresta tropical e refinar estimativas populacionais pré-coloniais.
Novas pesquisas devem integrar dados LiDAR com conhecimentos indígenas contemporâneos, apoiar políticas públicas de proteção do patrimônio arqueológico e orientar a gestão ambiental. Avanços em algoritmos também buscarão reconhecer automaticamente estruturas antigas em grandes bancos de dados.
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