“Apresentou boa evolução clínica”, diz boletim sobre Bolsonaro
Nota médica indica melhora nos exames e resposta ao tratamento, mas sem previsão de saída da UTI
O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de um episódio de broncoaspiração. Boletim médico divulgado nesta quarta-feira, 18, aponta melhora no quadro clínico, mas sem previsão de alta.
De acordo com a nota, Bolsonaro “apresentou boa evolução clínica, com melhora parcial dos aspectos tomográficos e melhora importante dos marcadores inflamatórios”. Os dados indicam resposta ao tratamento adotado pela equipe médica desde a internação.
Apesar da evolução considerada positiva, o ex-presidente segue sob cuidados intensivos. Segundo o boletim, ele permanece na UTI, onde recebe monitoramento contínuo e assistência especializada.
O tratamento inclui antibioticoterapia endovenosa, além de suporte clínico intensivo. A equipe médica também mantém sessões de fisioterapia respiratória e motora, consideradas fundamentais para a recuperação do quadro pulmonar e prevenção de novas complicações.
Ainda conforme a nota, “não há previsão de alta da UTI neste momento”. O boletim é assinado por médicos especialistas em diferentes áreas, responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente. Entre eles estão o cirurgião geral Claudio Birolini, os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, o coordenador da UTI Geral Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr. e o diretor-geral do hospital, Allisson B. Barcelos Borges.
Prisão domiciliar
A internação do Jair Bolsonaro abriu uma ‘janela de oportunidade’ para a concessão da prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente da República, conforme integrantes do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ala do STF tem tentado convencer o ministro Alexandre de Moraes a deferir o pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro para conceder o benefício. Como mostramos nesta terça-feira, os advogados de Bolsonaro voltaram a pedir a Moraes a prisão domiciliar do ex-presidente. Eles alegam justamente o agravamento do quadro clínico e sustentam que a permanência no sistema prisional representa risco à saúde.
Na visão dessa ala do STF, a situação de Bolsonaro é semelhante ao do ex-presidente Fernando Collor. Collor foi condenado pelo STF a 8 anos e 10 meses de reclusão em regime inicial fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora. Depois, o STF entendeu que, por ele sofrer de Mal de Parkinson, ele teria direito ao benefício.
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O receio dos ministros do STF que defendem a prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro é que ele possa ter o mesmo destino de Cleriston Pereira da Cunha – o Clesão. Ele relatou um quadro de vasculite, uma doença que provoca a inflamação dos vasos sanguíneos, mas foi ignorado por Moraes. Na visão dessa ala, o Supremo não precisa de uma nova crise para administrar, caso Jair Bolsonaro tenha uma complicação de saúde caso ele volte para a prisão.
No pedido apresentado pela defesa nesta terça-feira, 17, a defesa do ex-presidente declarou que ele necessita de acompanhamento médico contínuo e de condições que, segundo os defensores, não podem ser plenamente asseguradas no ambiente carcerário.
“A partir desse dado objetivo, verifica-se que a permanência do peticionário no atual ambiente de custódia expõe o quadro clínico a um risco progressivo, na medida em que a ausência de vigilância contínua e de intervenção imediata favorecem a repetição de eventos semelhantes, com potencial de maior gravidade, especialmente em cenário de comorbidades múltiplas e já documentadas”, diz a defesa.
O requerimento foi instruído com laudos médicos atualizados, que apontam a evolução do quadro de saúde do ex-presidente e indicam a necessidade de cuidados especializados. A equipe jurídica argumenta que houve mudança relevante nas condições clínicas, o que justificaria uma nova análise por parte do STF.
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