Appio acusa Moro de coação e pede inquérito à PF
Senador chamou juiz afastado de “herói do Prerrogativas” e “ladrão aloprado” por suspeita de furto de champanhes em supermercado
O juiz afastado Eduardo Appio (foto), investigado por suspeita de furtar champanhes em supermercados de Blumenau, pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar possível crime de coação no curso de três inquéritos sigilosos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Appio alega que declarações do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) interferem nas investigações sobre supostos abusos cometidos por ele e pela força-tarefa da Lava Jato, diz o Estadão.
Appio, que substituiu Moro nos processos da Lava Jato após o ex-ministro deixar a magistratura em 2018, afirma ser “testemunha-chave” nesses inquéritos e acusa Moro de agir de forma difamatória e de tentar influenciar procedimentos sigilosos.
“Continuarei sendo testemunha no Supremo Tribunal Federal custe o que custar, independente das pressões de Moro e sua turma”, disse Appio.
Ema carta enviada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Appio afirmou que as ações de Moro nas redes sociais e sua influência junto a eleitores e veículos de comunicação visam o “arquivamento ou absolvição do Senador Sergio Moro e seus cúmplices (inclusive Deltan Dallagnol)”.
Moro respondeu classificando a representação de Appio como sem fundamento. O senador disse ainda que “não tem culpa se o Juiz Appio resolveu furtar champanhes”.
“Ladrão aloprado”
Em publicação nas redes sociais, Moro chamou Appio de “ladrão aloprado” e de “herói do Prerrogativas”, acusando-o de prejudicar a Lava Jato e beneficiar corruptos enquanto atuava na 13ª Vara Federal de Curitiba.
“Esse ladrão aloprado foi o juiz escolhido pelo sistema para atuar na 13 Vara federal de Curitiba, prejudicar a Lava Jato, mentir sobre colegas e beneficiar corruptos. Era o herói do Prerrogativas. Estranhamente, ainda correm inquéritos no STF instaurados a partir de suas fantasias caluniosas”, disse o ex-juiz da Lava Jato no X.
Roubo de champanhe
Appio é acusado de ter furtado três garrafas de champanhe Moët & Chandon, no valor promocional de 399 reais cada uma, do Giassi Supermercados, em Blumenau.
O caso veio à tona em outubro.
Ele foi afastado provisoriamente do cargo na 18ª Vara de Curitiba e se tornou alvo de um processo administrativo disciplinar por decisão da Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
Em 2023, Appio assumiu a 13ª Vara de Curitiba e, consequentemente, os processos da Lava Jato.
Contudo, o juiz foi afastado da operação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, posteriormente, transferido de Vara.