Amorim chama de “total absurdo” sanção dos EUA contra família de Padilha
Ministro da Saúde, esposa e filha de 10 anos tiveram vistos americanos cancelados pelo governo Trump
Celso Amorim (foto), assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, classificou como “agressão” e gesto de “profunda hostilidade” a decisão dos Estados Unidos de cancelar os vistos da esposa e da filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Acho um total absurdo. Falo em meu nome, como ex-ministro da Defesa e conselheiro do presidente. Você está punindo um ministro brasileiro — o que já é um gesto inamistoso — e, ainda por cima, com profundo grau de hostilidade. Cancelar o visto de um ministro de outro país é algo inaceitável”, disse Amorim à GloboNews, nesta sexta-feira, 15.
Amorim também defendeu o programa Mais Médicos, alvo das recentes sanções do governo Donald Trump.
“Você pode concordar ou não com o Mais Médicos, mas era uma iniciativa humanitária e nacional, voltada a melhorar a saúde da população. É tão absurdo que é até difícil de expressar… Não sei se o objetivo é punir o Brasil ou provocar uma reação nossa.”
Para o assessor do governo Lula, a medida é “uma grosseria” contra um ministro que “já ocupou vários cargos, é médico” e cuja punição “não tem lógica”.
“Ato covarde”
Padilha afirmou que o cancelamento dos vistos de sua mulher e da filha de 10 anos é “um ato covarde” e não guarda relação com a já encerrada parceria do Mais Médicos com Cuba.
A sanção, segundo ele, “tem a ver com tentativa de intimidar quem não baixa a cabeça para Trump, quem não bate continência para a bandeira dos Estados Unidos”.
O ministro acrescentou: “O clã Bolsonaro, que orquestra isso, tem de explicar qual risco uma criança de 10 anos pode ter ao governo americano”.
A medida ocorreu dois dias após o Departamento de Estado dos EUA anunciar o cancelamento de vistos de autoridades ligadas à implementação do Mais Médicos.
Padilha já estava na lista, mas não foi atingido por estar com o visto vencido.
“Estou absolutamente indignado com essa atitude covarde. Fiquei sabendo por mensagem de minha esposa”, disse.
Mais Médicos
Padilha era ministro de Saúde em 2012 e esteve diretamente envolvido na criação do Mais Médicos, ainda durante o governo de Dilma Rousseff.
Ele liderou a delegação brasileira enviada a Havana para discutir a implantação do programa. A comitiva incluiu os então assessores Mozart Salles e Alberto Kleiman — ambos tiveram os vistos americanos cancelados nesta semana.
Padilha atuou diretamente nas negociações com o regime cubano, incluindo a definição de quanto os médicos enviados ao Brasil receberiam. Para viabilizar o arranjo sem a aprovação do Congresso, foi dele a proposta de usar a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como intermediária. A sede da entidade fica em Washington, mas, para evitar riscos de bloqueio de recursos nos EUA, Padilha sugeriu que as transferências ocorressem apenas entre escritórios da Opas fora do território americano.
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Comentários (3)
Emerson
16.08.2025 22:26Vivem demonizando a "nação imperialista" , mas quando são proibidos de entrar no país ficam indignados.
saul simoes junior
16.08.2025 19:22Total absurdo é pagarmos viagens desse lagosteiro
Annie 40
16.08.2025 16:38Absurdo porque? Ninguem e obrigado a aceitar visitas indesejadas