Álvaro Dias abandona corrida ao Senado no Paraná
Líder nas pesquisas, ex-governador cede a acordos internos e altera composição da chapa governista para outubro
O ex-governador Álvaro Dias (MDB) decidiu nesta segunda-feira, 3, retirar sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná, apesar de aparecer à frente de todos os concorrentes nos levantamentos de intenção de voto.
A decisão foi comunicada por meio de nota nas redes sociais e reorganiza a formação da chapa majoritária liderada pelo governador Ratinho Júnior (PSD).
Dias, que também já ocupou cadeira no Senado, estava afastado do cargo havia três anos e era um dos nomes cotados para compor a candidatura de Sandro Alex, ex-secretário estadual de Infraestrutura escolhido para suceder Ratinho Júnior. Segundo o ex-governador, faltaram condições políticas para sustentar sua permanência na disputa.
Peso eleitoral e razões da saída
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana anterior ao anúncio, Dias registrava 20% das intenções de voto, à frente do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), empatados com 10% cada.
Em sua nota, o ex-governador afirmou ter aceitado a candidatura em razão do apoio indicado pelas pesquisas, mas reconheceu que “prevaleceram os arranjos, as composições e a vontade dos políticos”. Ele completou: “Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome”.
Com sua saída, o novo cenário eleitoral aponta Curi com 14%, Dallagnol com 12%, Hoffmann com 11% e o deputado federal Filipe Barros (PL), que passa de 10% para 12%.
Reconfiguração da chapa governista
O movimento de Dias ocorre após o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD) anunciar, na semana anterior, que deixaria a disputa ao governo para se tornar vice na chapa de Sandro Alex, que já prevê a indicação de Curi a uma das vagas do Senado. A segunda vaga permanece indefinida.
Segundo o texto, o grupo governista avalia deixar essa vaga em aberto, mantendo Curi como candidato único, ou indicar a jornalista Cristina Graeml, filiada ao PSD neste ano a convite de Ratinho Júnior. A hipótese gera resistência dentro do Republicanos, partido que teria ameaçado não integrar a chapa caso a jornalista seja incluída, sob o argumento de que ela disputaria o eleitorado de direita com Curi.
A definição também pode afetar a relação com o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que enfrentou Graeml nas eleições municipais de 2024, disputa marcada por embates públicos entre os dois candidatos.
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