Aliados de Lula querem limitar poder de veto do Senado
Juristas do grupo Prerrogativas articulam ação constitucional após primeira rejeição a indicado ao Supremo em 132 anos
Juristas do Prerrogativas, grupo próximo ao governo federal, preparam uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) no Supremo Tribunal Federal para restringir o alcance da avaliação do Senado sobre indicações presidenciais à Corte.
A movimentação foi desencadeada pela rejeição, na noite de ontem, do nome de Jorge Messias — chefe da Advocacia-Geral da União —, derrotado por 42 votos a 34 no plenário da Casa, sete votos abaixo do mínimo necessário.
A tese jurídica
A iniciativa é coordenada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho. O argumento é que a Constituição Federal reserva ao presidente da República o juízo político sobre o perfil do indicado ao STF — gênero, origem profissional, trajetória —, cabendo ao Senado apenas verificar dois requisitos objetivos: o notório saber jurídico e a reputação ilibada do candidato.
“O que cabe ao Senado é fazer a aferição de dois requisitos, que podem até ser subjetivos. O primeiro, é o notável saber jurídico e o segundo, a reputação ilibada”, afirmou Marco Aurélio de Carvalho.
Com base nessa leitura, o grupo defende que, uma vez constatada a presença desses atributos, o Senado teria “competência vinculada” de aprovar o nome, sem margem para vetos motivados por divergências ideológicas ou disputas políticas. Na prática, o Senado perderia poder de veto.
Precedente, não revisão
O coordenador do Prerrogativas garantiu que a ação não tem como objetivo reverter a derrota de Messias nem pressionar o Senado a reavaliar o caso específico. O foco é a criação de um precedente institucional que imponha ao Legislativo a obrigação de apresentar justificativas técnicas em eventuais rejeições futuras.
“Não é sobre o Messias. É sobre não permitir que isso aconteça novamente. É sobre a formação de um precedente grave para o país”, declarou o advogado.
Como exemplo de consistência na posição, Marco Aurélio citou a atuação do grupo durante o governo anterior: o Prerrogativas defendeu a aprovação de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, apesar das críticas internas à esquerda, por entender que o jurista preenchia os requisitos constitucionais.
Se a ADPF for acolhida pelo STF, o presidente Lula teria a prerrogativa de reapresentar um nome à vaga — aberta desde outubro de 2025 com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso — e o Senado passaria a responder juridicamente por rejeições sem fundamentação técnica.
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Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
30.04.2026 22:33Quando CANALHAS perdem o jogo, querem mudar as regras para favorece-los. Se "reputação ilibada" fosse um requisito levado a risca, boa parte desse STF nem poderia ter sido nomeada, e se fosse um requisito para o exercício da advocacia, acho que esse convescote nem existiria, por falta de quorum.