Alcolumbre sobre Lula: “Não tenho que esperar nada”
Presidente do Senado sinaliza distância do governo após rejeição histórica de Messias ao Supremo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro nesta quarta-feira, 6, que não aguarda nenhuma tentativa de reconciliação do governo Lula após a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Questionado sobre se esperava algum gesto do Palácio do Planalto, o senador foi direto: “Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada”.
A declaração marca o tom do impasse político aberto após a rejeição do advogado-geral da União pelo plenário do Senado na semana anterior.
Uma derrota que veio de longe
A crise entre Alcolumbre e o Planalto não começou na votação. Ela se acumulou desde novembro do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a indicação de Messias para a vaga deixada no STF sem avisar previamente o presidente do Senado.
Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para o cargo.
Nos bastidores, parlamentares relatam que Alcolumbre não apenas se absteve de trabalhar pela aprovação de Messias, mas atuou ativamente para convencer senadores de MDB, PSD, União Brasil e PP a votarem contra a indicação.
A articulação resultou na rejeição por 42 votos a 34 — margem que surpreendeu o governo, que contava com ao menos 45 apoios.
Tentativas de reaproximação sem resposta
Após a derrota, o Planalto mobilizou dois ministros para tentar reconstruir a relação com o Senado. José Múcio e José Guimarães tiveram encontros com Alcolumbre, mas o senador não sinalizou abertura.
Ao ser perguntado pela segunda vez se aguardava alguma atitude de Lula, inclusive sobre uma eventual nova indicação ao STF ainda em 2026, Alcolumbre repetiu a mesma resposta: “Não tenho que esperar nada”.
A frase resume a posição do senador diante de um governo que, segundo aliados do próprio Lula, agiu com “soberba” ao ignorar a cúpula do Senado na escolha do indicado.
Para parlamentares próximos a Alcolumbre, a derrota de Messias foi uma demonstração de que as negociações internas da Casa passam pelo seu presidente — e que desconsiderá-lo tem consequências políticas concretas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)