Alcolumbre ironiza imprensa: “Vocês sabem de mais coisa do que eu”
Presidente do Senado evita questionamentos sobre rejeição histórica à indicação de Lula ao STF
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recusou-se a comentar nesta quinta-feira, 30, sua participação na suposta articulação que resultou na derrota de Jorge Messias, nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal.
Abordado por jornalistas após sessão do Congresso Nacional, o senador do Amapá respondeu apenas com uma ironia ao ser questionado sobre os bastidores da manobra: “Vocês sabem de mais coisa do que eu”.
Silêncio calculado
Ao sair da sessão que derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria — medida que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) —, Alcolumbre foi cercado pela imprensa e perguntado sobre dois temas que dominaram a semana política: a rejeição de Messias e a própria derrubada do veto.
Em ambos os casos, o senador declarou, repetidamente, que não responderia a nenhuma pergunta. Quando pressionado sobre sua atuação nos bastidores contra Messias, limitou-se à frase irônica dirigida aos repórteres.
Articulação nos bastidores
Segundo a colunista Natuza Nery, do g1, Alcolumbre teve participação direta na articulação contra o nome indicado por Lula. O senador teria comunicado a aliados de diferentes campos políticos que a quarta-feira, 29, seria um “dia histórico” — referência à rejeição que se confirmou à noite, com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para aprovação, eram necessários ao menos 41 votos a favor.
Interlocutores próximos ao presidente do Senado afirmam que ele nunca aceitou a escolha de Messias. Seu candidato preferido para a cadeira era o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu principal aliado na Casa. A estratégia atribuída a Alcolumbre era a de que a derrubada de Messias obrigaria o Palácio do Planalto a buscar um nome com mais respaldo no Legislativo — o que recolocaria Pacheco na disputa.
Governo resiste à pressão
Apesar do cálculo de Alcolumbre, integrantes do governo Lula avaliavam que a derrota de Messias não garante a indicação de Pacheco. A orientação no Planalto seria buscar uma terceira alternativa, em vez de ceder à lógica imposta pelo comando do Senado.
A rejeição da indicação presidencial ao STF é inédita desde a redemocratização. A última vez que o Senado barrou um nome para a Corte foi em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
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