Alcolumbre está preocupado com renovação da CPI em ano eleitoral, diz Vieira
Relator defende prorrogação e diz que gravidade dos dados exigem mais tempo; "O prazo que a gente está pedindo é um prazo de 60 dias"
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) [foto], manifestou preocupação com a renovação da CPI do Crime Organizado em meio ao ano eleitoral, segundo o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Em entrevista ao SBT News, nesta segunda-feira, 6, Vieira afirmou que o tema já vem sendo discutido internamente, diante do avanço das investigações.
O parlamentar reconheceu a resistência política ao prolongamento dos trabalhos, mas indicou que a discussão segue em curso. “Nessas conversas, é natural o presidente Davi Alcolumbre manifestar preocupação com uma renovação por conta do contexto político, ano eleitoral, essas coisas todas”, afirmou Vieira.
O relator também sustentou que o pedido de prorrogação cumpre os requisitos regimentais e não depende de autorização formal da presidência do Senado. “Não é preciso que o Davi Alcolumbre autorize, não é preciso que ele faça leitura em plenário, basta apenas publicar o pedido de prorrogação com as 28 estaturas e vai ser prorrogado”.
Segundo Vieira, o prazo solicitado é limitado e busca equilibrar a continuidade das investigações com o calendário político. “O prazo que a gente está pedindo é um prazo curto, é um prazo de 60 dias, considerando a gravidade dos fatos, é bem pouco, mas para não contaminar demais o período eleitoral, a gente está encerrando a CPI ali no início de junho”, disse.
O senador também destacou a dimensão dos fatos apurados pela comissão. “São fatos muito graves. A CPI, não só na parte de radiografar o funcionamento das facções e milícias no Brasil, como é que o Estado brasileiro reage ao crime organizado, ela também teve a oportunidade de, ao longo do seu curso, encontrar dois casos que são muito didáticos com relação à infiltração e o tamanho do crime organizado no Brasil”, afirmou.
Ao citar exemplos, Vieira mencionou o caso do Rio de Janeiro. “Você teve durante a CPI o afastamento do presidente da Assembleia Legislativa, teve prisão de deputado estadual indiciado, denunciado na condição de faccionado. Quer dizer, gravíssima a situação do Rio de Janeiro”, disse.
O relator também apontou o caso envolvendo o Banco Master. “É seguramente o maior escândalo financeiro da história do Brasil, seguramente será o caso, a maior demonstração de infiltração profunda na máquina estatal, porque você tem conexões dessa organização criminosa no Legislativo, no Executivo, no Judiciário e nos três níveis da federação”.
Para Vieira, a extensão do prazo é necessária para consolidar as conclusões da comissão. “O papel da CPI é justamente fazer essa leitura e essa investigação que for mais transparente do que acontece na investigação policial ou feita pelo Ministério Público”, disse.
Por fim, o senador indicou que as negociações continuam. “A gente vai continuar conversando, devo ter um despacho com ele, persistindo nessa demonstração da importância da prorrogação dos trabalhos“, concluiu.
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Comentários (1)
Com ele mesmo?