Advogada aponta “intolerância religiosa” em moção de Érika Hilton ao Vaticano
Bárbara Barbosa comenta ação da deputada contra decisão que afastou padre Júlio Lancellotti
A advogada Bárbara F (foto), vice-diretora administrativa do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), criticou nesta quarta-feira, 17, a moção da deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) à Embaixada do Vaticano para anular a decisão do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, de afastar padre Júlio Lancellotti.
Segundo Bárbara, a iniciativa da parlamentar configura “intolerância religiosa”.
“O Estado não pode interferir nas questões internas de qualquer religiosa, não apenas na Igreja Católica Apostólica Romana. Quando a deputada Érika Hilton se pronuncia dizendo que acionou o Vaticano opara cobrar explicações ela está cometendo um ato de intolerância religiosa. Porque ela está usando o arcabouço do Estado para dizer como a organização religiosa tem que seguir, se moldar e se pronunciar. Os únicos que podem se pronunciar são os católicos. A deputada Érika Hilton já disse que não é católica”, disse.
A advogada ressaltou ainda que, pelo tamanho e pela unidade da Igreja Católica, suas decisões naturalmente atraem maior atenção pública. Segundo ela, outro fator relevante é a influência histórica do Direito Canônico sobre a legislação civil.
“Pelo fato da Igreja ter o tamanho que tem e a unidade, consequentemente os olhos são bem maiores. Mais uma coisa atrai também a atenção, que é a contribuição do Direito Canônico para a nossa legislação também. Volto de novo à ideia de bem comum. Porque, as boas leis que temos, são de influência da Igreja (…)
Então, quando a gente vê que existe o interesse da política em todo movimento que a Igreja Católica faz, isso é uma contribuição. É certo uma deputada se meter em assuntos que dizem respeito à jurisdição eclesiástica? Porque estou trazendo esse tema, porque a igreja possui uma dimensão externa, da fé, e tem a dimensão interna, que é a crença. E para administrar essas duas dimensões existe o governo da Igreja.”
Afastamento de Júlio Lancellotti
Na terça, 16, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, determinou que o padre Júlio Lancellotti interrompa temporariamente as atividades nas redes sociais e deixe de transmitir missas ao vivo.
Segundo Lancelotti, a determinação foi apresentada como uma medida de “recolhimento e proteção”.
“Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção”, disse à Folha.
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