Adriana Ventura cobra afastamento de ministros do STF sob suspeita
Deputada do Novo disse que Corte precisa “passar a limpo” escândalos e criticou corporativismo entre ministros
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou para O Antagonista que ministros do Supremo Tribunal Federal sob suspeita de corrupção devem ser afastados caso existam indícios suficientes contra eles. Para a parlamentar, o momento vivido pela Corte exige que os integrantes do tribunal priorizem o interesse público, e não a defesa corporativa entre colegas.
Na avaliação de Adriana, o conflito interno não deve desviar a atenção das suspeitas que envolvem integrantes do tribunal.
“Qualquer brasileiro de bem quer que os ministros com suspeita de corrupção, seja quem for, sejam afastados. A gente vê ali uma guerra, mas temos provas contundentes, indícios suficientes para afastar alguns ministros de lá”, afirmou.
A deputada defendeu que Edson Fachin e os demais ministros considerados por ela como “de bem” tenham uma atuação voltada para a apuração das denúncias, sem que prevaleça o corporativismo. Adriana citou o Chile como exemplo de país que já afastou integrantes de sua Suprema Corte e disse que o Brasil precisa enfrentar os episódios envolvendo o Judiciário.
“O que eu espero é que o ministro Fachin e outros ministros que estejam lá recebam realmente uma inspiração, pensem no país, na próxima geração, e não sejam corporativistas para defender algo que todo cidadão já viu. Os escândalos do Supremo precisam ser passados a limpo”, disse.
Ao comentar sobre o clima atual da Corte, Adriana afirmou que o ambiente no STF se transformou em uma disputa em que os envolvidos tentam se proteger. Ela defendeu, porém, que as diferentes situações sejam analisadas individualmente e que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem confundir fatos de naturezas distintas.
Ventura ainda disse que a existência de relações, contratos ou vínculos com pessoas investigadas não deve ser tratada automaticamente da mesma maneira em todos os casos. Ao mesmo tempo, ela sustentou que qualquer situação que apresente indícios relevantes deve ser investigada.
“Eu acho que todos têm que ser investigados. Não estou passando a mão na cabeça de ninguém. Mas a gente precisa não deixar turvar uma água que é cristalina. Quem precisa ser afastado precisa ser afastado. O Brasil espera isso”, afirmou a parlamentar que também relatou para O Antagonista que foi impedida de acompanhar presencialmente o julgamento no STF mesmo mediante credenciamento no sistema da Corte.
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