Acordão para abafar escândalos passa por Alcolumbre, diz Vieira
Senador diz que acordo pela reeleição de Alcolumbre envolveria compromisso para barrar CPIs e processos de impeachment
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse nesta quinta-feira, 29, que a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado é peça de um “megaacordão” destinado, segundo ele, a abafar escândalos envolvendo integrantes dos Três Poderes.
Vieira afirmou que o entendimento incluiria um compromisso para impedir a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito e processos de impeachment. O senador fez as declarações pelo X.
“Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo em Brasília, desde fuga de candidato derrotado a festa de aniversário do vencedor. Isso naturalmente concentra muita atenção da mídia e da sociedade, mas o evento mais importante para o futuro do Brasil segue em organização célere e discreta: o megaacordão para abafar simultaneamente todos os escândalos que atingem poderosos nos três poderes“, iniciou Vieira.
“A peça fundamental neste acordo é a reeleição de Davi Alcolumbre, com o compromisso de não instalação de CPIs ou processos de impeachment. Será interessante ver como os senadores vão se comportar na eleição de 01/02/27, especialmente aqueles eleitos com compromissos efusivos de combate à corrupção e investigação de ministros do STF”.
Vieira ressaltou que não vai votar em Alcolumbre para presidente do Senado, na eleição em 1º de fevereiro de 2027.
“A minha posição é pública e foi comunicada serenamente ao próprio Davi: não conte com o meu voto. Concordo que o Brasil precisa de urgente pacificação, mas ela não pode ser construída com base em impunidade e cinismo, ignorando a vontade amplamente manifestada pela sociedade brasileira, que não suporta mais tanta desconexão entre suas necessidades reais e as vontades de uma elite corrompida”.
O senador ainda elencou as premissas das quais vai partir para se integrar aos esforços para construir uma candidatura capaz de conquistar a presidência do Senado.
“1) a eleição no Senado não representa um terceiro turno. As eleições presidenciais acabaram e Lula venceu; 2) transparência e combate à impunidade devem ser eixos centrais; 3) o Senado deve formular urgentemente soluções legislativas estruturais que garantam estabilidade fiscal, eleições mais baratas e justas, combate ao crime organizado e resgate da credibilidade da Justiça”.
Segundo Vieira, “já existem diversos bons projetos que caminham nessa direção, o que falta é liderança e vontade política. A mudança que tantos desejam não vai cair do céu ou chegar pelas mãos de um salvador da Pátria. Vai chegar pelo trabalho de muita gente, começando agora”.
Federação apoia Alcolumbre
Na última terça-feira, 27, a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre para mais um mandato no comando da Casa Alta e do Congresso Nacional.
Em nota assinada por Antonio de Rueda e Ciro Nogueira, a federação afirma que a continuidade do senador contribuirá para a estabilidade institucional e o equilíbrio político.
“A União Progressista declara seu apoio à recondução do senador Davi Alcolumbre à Presidência do Senado Federal e do Congresso Nacional. Entendemos que a continuidade de sua liderança contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político de que o Brasil precisa para seguir avançando nas pautas de interesse da população“, inicia a nota.
A experiência de Davi Alcolumbre na condução do Senado Federal e do Congresso Nacional, especialmente em momentos de grandes desafios políticos, reafirma sua capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes“.
A nota prossegue: “O União Brasil e o Progressistas têm uma trajetória de parceria, confiança e compromisso político ao lado de Davi Alcolumbre, construída ao longo dos anos. Reafirmamos nosso apoio à sua liderança e nosso compromisso com um Congresso Nacional forte, independente e capaz de transformar o diálogo em resultados concretos para os brasileiros”.
Na próxima legislatura, a federação terá 11 senadores – a partir dos resultados das eleições de 2026. Alcolumbre precisará de pelo menos 41 votos favoráveis para se reeleger. O Partido Liberal (PL), que não deve apoiá-lo, terá a maior bancada da Casa no próximo ano, com 29 senadores.
Alcolumbre é presidente do Senado desde 1º de fevereiro de 2025. Antes, já havia presidido a Casa de 1º de fevereiro de 2019 a 1º de fevereiro de 2021. Como mostramos, o presidente Lula (PT) prometeu ao senador trabalhar pela indicação dele ao TCU se o parlamentar não for reeleito para o comando do Senado.
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