Ação da PF mira PCC com 30 presos e R$ 1,32 bi bloqueados
Narco Vela rastreou rota por veleiros para África e Europa; em Campo Grande, Justiça congelou até R$ 2,7 milhões de empresária ligada a ex-líder, que nega envolvimento
A Polícia Federal o Ministério Público intensificaram, desde fevereiro, operações para cortar o financiamento do Primeiro Comando da Capital em diferentes frentes logísticas e financeiras.
Em 29 de abril, a PF deflagrou a operação Narco Vela, com bloqueio judicial de até R$ 1,32 bilhão e dezenas de mandados em cinco estados.
Em 27 de junho, a 5ª Vara Federal de Santos decretou a prisão preventiva de 30 investigados do mesmo caso.
Em 21 de agosto, Campo Grande teve ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado com bloqueio de até R$ 2,7 milhões contra uma empresária identificada pela investigação como ex-companheira de um dirigente da facção.
As medidas têm como objetivo atingir associados que prestam serviços de transporte, finanças e logística.
No caso Narco Vela, a PF descreveu o uso de embarcações de longo curso e equipamentos satelitais para apoiar envios de cocaína a Europa e África.
A operação mobilizou mais de 300 policiais federais e apoio de 50 policiais militares, com quatro mandados de prisão preventiva, 31 temporárias e 62 buscas em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pará e Santa Catarina.
A investigação começou após comunicação do órgão americano de controle de drogas sobre a apreensão de 3 toneladas de cocaína em veleiro brasileiro próximo ao continente africano.
O caso teve cooperação da agência antidrogas americana, da Marinha dos Estados Unidos, da Guarda Civil espanhola e da Marinha francesa.
Em decisão de sexta, 27, o juízo federal de Santos converteu em preventivas as prisões de 30 investigados ligados ao envio de cargas por veleiros, barcos pesqueiros e navios cargueiros, consolidando a etapa judicial da Narco Vela.
A ação segue com análise de bens, contas e eventuais conexões com estruturas de lavagem de dinheiro.
Outra frente ocorreu em 25 de fevereiro, quando a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado deflagraram a operação Hydra, que mirou empresas de tecnologia financeira usadas para ocultação de valores.
As ordens atingiram instituições e executivos suspeitos de operar transações em múltiplos países para integrantes da facção.
Na quinta, 21, Campo Grande teve a operação Fruto Envenenado com três buscas e bloqueio de bens em até R$ 2,7 milhões.
A investigação aponta que Jaqueline Maria Afonso Amaral, ex-companheira de Júlio César Guedes de Moraes, conhecido como Julinho Carambola, teria recebido quase R$ 3 milhões entre 2018 e 2022 e usado contas de familiares e amigos para dificultar o rastreamento
Foram apreendidos celulares, munições e veículos.
A defesa afirma que a empresária se afastou do ex-companheiro há anos, mantém atividade lícita e colaborou com a autoridade.
Casos paralelos de 2025 mapeiam a atuação de prestadores de serviço classificados pelos investigadores como facilitadores.
Entre eles está Willian Barile Agati, apontado por relatórios policiais como “concierge” por prover suporte logístico e financeiro, preso no início do ano no âmbito da operação Mafiusi e depois indiciado.
A defesa nega ligações criminosas e afirma que ele é empresário com atividades regulares.
As investigações correm sob sigilo. Os alvos poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)