“A polícia do Rio é a melhor do mundo, o crime aqui tem armamento de guerra”
"O dia seguinte da operação é o pior, porque vêm os 'especialistas' para falar que foi chacina", diz Munique Busson, que participou da Operação Contenção
A policial Munique Busson (foto) participou da megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro em 28 de outubro. Ela era uma das três mulheres na Operação Contenção. Desde então, Munique trava junto com os colegas de corporação o que chama de “guerra informacional”.
“Eu falo que nós combatemos não só a guerra bélica. É uma guerra tridimensional: uma guerra bélica, uma guerra informacional e uma guerra jurídica. Nós, agora, estamos na parte da guerra jurídica, tanto que o nosso ministro [da Justiça, Ricardo Lewandowski] veio aqui, eles estão querendo, eles vêm como tubarão para tentar combater agora e atacar a gente com guerra jurídica”, disse a policial em entrevista ao Papo Antagonista.
“Então, primeiro a gente vai na operação e tem a guerra bélica. No dia seguinte, que eu sempre falo que no dia seguinte é o pior dia, que vem a mídia, vem a esquerda, vêm os especialistas de segurança pública teóricos para falar que foi chacina, que a polícia é genocida, que nós somos assassinos. E hoje a gente tem a rede social, graças a Deus, para quebrar, combater. Eu tenho um podcast também, tem cinco meses só, mas hoje a gente tem… Eu, Batata e Honório, a gente combate não só com fuzil, a gente combate com microfone, assim como vocês”, comentou, chamando atenção para a “guerra da narrativa”.
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“Quem esteve ali, precisou revidar a injusta agressão, porque o policial ele não entra tirando. Isso é uma narrativa. Eu vou fazer 10 anos de polícia mês que vem, eu nunca fiz isso e nunca vi nenhum colega de profissão fazer isso. Isso é mentira. Agora, não é uma opção do policial atirar para matar, é uma consequência do marginal, da lei, se ele se entregar, o policial não atira. Agora, você vai falar para mim que um marginal de ponto 30, de 762, de armamento de guerra, tu vai tacar uma pedra na cabeça dele e vai desarmar? Não vai. Gente, isso aí afronta até a gente, que está lá dando o nosso sangue, perdendo colega de profissão. Isso é uma afronta”, seguiu.
Guerra
Segundo Munique, a polícia do Rio de Janeiro é “a melhor polícia do mundo”, porque os criminosos do estado usam “armamento de guerra”, mas o Estado brasileiro não admite que exista uma guerra.
“Nosso Judiciário diz que a gente está em paz. Porque a nossa legislação está dizendo que a gente está em paz. Então, o policial se adapta à realidade do Rio de Janeiro. É por isso que eu tenho muito orgulho da nossa instituição, da Polícia Civil, porque a gente enfrenta de fato uma guerra urbana. E com toda essa dificuldade de falta de legislar para punir. Eu, inclusive, já prendi um marginal da lei com 30 passagens”, disse.
Ao avaliar a operação, Munique afirmou não poder dar nota 10 devido à “perda irreparável” de quatro policiais, ressaltando que a neutralização de narcoterroristas não compensa a vida de um agente de segurança pública. Ela descreveu o combate como “assimétrico” e “altamente letal”, explicando que, enquanto os criminosos usam drones que soltam granadas, o policial age sob restrições legais.
A policial também ressaltou que a tropa se adapta ao combate e disse que, se houver uma frequência maior de operações de combate como essa, a letalidade naturalmente diminuirá, especialmente com o suporte necessário do governo federal com o empréstimo de blindados.
Assista à íntegra da entrevista:
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Comentários (3)
Marian
15.11.2025 11:18Não sei se é a melhor, mas certamente está entre as mais corajosas e ainda recebem muito pouco, para o risco real.
MARCOS
14.11.2025 19:25TEM QUE PEGAR OS "ESPECIALISTAS", COLOCAREM NA LINHA DE FRENTE COM MUITAS PEDRAS PARA ESSES IDIOTAS JOGAREM NOS TRAFICANTES TERRORISTAS. SE NÃO DER CERTO, TROQUEM AS PEDRAS POR ROSAS.
Ita
14.11.2025 11:59É muita besteira. Um besteirol e muita gente dando crédito.