A operação do PL para tentar blindar Barroso e Gilmar da Magnitsky
Integrantes do partido defendem fazer um gesto ao Supremo Tribunal Federal para tentar atenuar a situação de Jair Bolsonaro
Integrantes do PL – partido de Jair Bolsonaro – entraram em campo para tentar convencer o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a não trabalhar por sanções contra pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.
A articulação conta com endosso do presidente do partido, Valdemar Costa Neto. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada por este portal.
O Antagonista apurou que alguns membros do partido depositaram em Gilmar e em Barroso uma expectativa de acordo para tentar distensionar relações entre o bolsonarismo e o Supremo Tribunal Federal. Falas dos dois ministros foram vistas por integrantes do PL como sinalizações visando um eventual acordo com o STF.
Após participar de um evento do Grupo Esfera, no Panamby, na Zona Sul de São Paulo, nesta segunda-feira, Gilmar Mendes declarou que “conversa com todo mundo” após ser questionado sobre as mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) na investigação relacionada à tentativa de obstrução de Justiça por parte do ex-presidente e de seu filho que está nos Estados Unidos.
“Nesses tempos, não [falei com Jair Bolsonaro]. Mas tive muitas conversas com ele no passado e recebi muitos interlocutores. Todos sabem que eu converso com todos os lados da política há muito tempo”, disse Gilmar. Já Barroso, na semana passada, declarou que não se pode discutir anistia antes do julgamento de Bolsonaro, mas que depois disso, essa seria uma decisão que caberia ao parlamento.
Os encontros com Gilmar Mendes
No início de agosto, Gilmar teve um encontro com integrantes do partido, entre eles o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ), e Valdemar. Durante a conversa, os membros do partido sugeriram que o STF determine o envio dos autos da ação penal do golpe à Primeira Instância. A recepção foi ruim.
Mesmo assim, uma ala do partido defende novos encontros tanto com Gilmar quanto com Barroso para discutir esse distensionamento. Por essa razão, esses membros do PL acreditam que poupar Gilmar e Barroso da Magnitsky poderia ser uma sinalização inconteste pela pacificação com o Tribunal.
O Antagonista apurou, no entanto, que Eduardo Bolsonaro – ao menos por enquanto – é reticente à ideia.