A jogada de Davi Alcolumbre para tentar se manter no comando do Senado
Cálculos dos aliados do presidente do Senado apontam que ele tem, pelo menos, 41 votos a favor de sua recondução ao cargo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula uma aliança com partidos do centrão e da base do governo Lula para tentar garantir sua recondução ao cargo por mais dois anos.
A estratégia de Alcolumbre é convencer integrantes de siglas como PSD, MDB e uma ala do Republicanos de que o presidente do Senado não deveria pertencer ao mesmo partido de um eventual presidente da República. O argumento é que isso poderia comprometer a independência do Legislativo em relação ao Palácio do Planalto.
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Nesse cenário, aliados de Alcolumbre exploram entre os partidos do centrão o receio de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial resulte na eleição de um presidente do Senado do PL. A avaliação é que isso poderia reduzir a autonomia da Casa e transformá-la em uma espécie de instância de homologação das decisões do Executivo.
Nos cálculos de aliados, Alcolumbre teria ao menos 41 votos para a recondução. A conta inclui as bancadas de PT, MDB, PSD, União Brasil, PSB, PDT, Rede e Podemos, além de uma ala do PP e de integrantes do PL que não são alinhados integralmente ao bolsonarismo.
Entre os senadores citados como potenciais apoiadores estão Eduardo Gomes (PL), ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, e André Fufuca (PP-MA), ex-ministro dos Esportes do governo Lula.
Além disso, aliados de Alcolumbre ponderam que mesmo se Rogério Marinho (PL-RN) insistir em lançar sua candidatura, ele precisará de apoio de uma ala do Centrão. O PL iniciará a legislatura 2027 com 28 senadores e precisaria do apoio de outros 13 parlamentares para conseguir fazer o presidente do Senado.
Na quarta-feira, 14, Alcolumbre comandou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida é uma das principais pautas eleitorais defendidas por Lula e ajudou a aproximar o presidente do Senado da bancada petista.
A expectativa de aliados é que o apoio do PT à recondução de Alcolumbre seja consolidado como parte desse entendimento para a eleição da Mesa do Senado, marcada para fevereiro de 2027.
Como parte da articulação, Alcolumbre também pretende colocar em votação a PEC da Segurança Pública, uma das prioridades do governo Lula. A previsão é que a proposta seja votada nesta quinta-feira, 15.
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