A estratégia de Flávio por trás do pedido de desculpas a Michelle Bolsonaro
Carlos e Eduardo Bolsonaro não concordaram com recuo, mas pragmatismo prevaleceu diante de isolamento do senador
O pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência da República, feito à madrasta, Michelle Bolsonaro, não foi uma obra do acaso. Na realidade, foi uma costura direcionada a dois objetivos: tentar persuadir integrantes do Centrão a embarcar na campanha do filho do ex-presidente e atenuar a rejeição de Flávio junto ao eleitorado feminino.
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Apesar disso, conforme interlocutores de Michelle ouvidos por O Antagonista, dois personagens se manifestaram a priori contra o pedido de desculpas: os irmãos de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro.
Tanto Carlos quanto Eduardo fazem parte da ala do clã que, até hoje, não conseguiu manter uma boa relação com Michelle. Para ambos, a madrasta tem seu próprio projeto político-eleitoral. Para eles, conforme apurou este portal, isolar Michelle representaria preservar o espólio eleitoral do pai, Jair.
O pedido de desculpas de Michelle foi costurado por amigas da ex-primeira-dama, como a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) – esta citada nominalmente pela ex-primeira-dama na mensagem de agradecimento a Flávio -, e por integrantes do próprio PL, como o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Mas o processo de convencimento não foi dos mais fáceis.
Foram necessárias três semanas inteiras de conversas para tentar convencer Flávio a tomar a iniciativa. Tanto Carlos quanto Eduardo queriam que a trégua partisse de Michelle, não do senador pré-candidato à Presidência da República.
Apesar disso, a tendência é que de fato Michelle não participe do lançamento da candidatura de Flávio neste sábado, em São Paulo. Como mostrou O Antagonista em primeira-mão, a ex-primeira-dama deve ficar em Brasília cuidando do marido.
Além disso, influenciadores mais alinhados a Eduardo, como Alan dos Santos, não recuaram dos ataques a Michelle, apesar do apelo de Flávio à militância para baixar as armas.
Com o pedido de desculpas, a cúpula do PL agora tentará, nos próximos dias, restabelecer conversas com integrantes de Republicanos, União Brasil e PP de olho em um palanque mais substancial para Flávio. Membros dessas siglas deixaram transparecer à cúpula da campanha que não embarcariam em um projeto presidencial que não tivesse união, sequer, do núcleo duro da família Bolsonaro.
O possível isolamento de Flávio, inclusive, foi considerado pela turma de bombeiros que atuou na crise como o principal fator de convencimento do primogênito de Jair. Para eles, se Flávio não estivesse isolado ou precisando crescer junto ao eleitorado feminino, muito provavelmente ele manteria o plano inicial: isolar Michelle e excluí-la, em definitivo, do seu projeto presidencial.
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