A enzima brasileira que come plástico em 48 horas e acaba de ser aprovada para testes em escala industrial
A poluição por embalagens plásticas PET é um dos maiores desafios ambientais atuais
A poluição por embalagens plásticas PET é um dos maiores desafios ambientais atuais. Milhares de toneladas são descartadas anualmente no Brasil e parte relevante não é reciclada. Esse descarte pressiona aterros, sistemas de saneamento e contribui para o acúmulo de lixo em rios e oceanos.
O que é a poluição por PET e qual seu impacto global?
Garrafas e frascos de poli(tereftalato de etileno) são usados em larga escala por serem leves, resistentes e baratos. Porém, seu descarte inadequado gera resíduos persistentes em solos, cursos d’água e ambientes costeiros.
No cenário global, milhões de toneladas de plásticos chegam aos mares todos os anos, formando ilhas de lixo e afetando cadeias alimentares marinhas. Isso agrava a perda de biodiversidade e aumenta custos de gestão de resíduos urbanos.

O que é a enzima PETase e por que ela é relevante?
Um grupo de pesquisadores, incluindo universidades como Portsmouth e UNICAMP descobriu uma enzima capaz de “devorar” o plástico.
A PETase é uma enzima encontrada em bactérias capazes de usar o PET como fonte de carbono e energia. Em condições controladas, ela quebra o polímero em dias ou semanas, em vez de anos ou décadas.
Essa proteína reconhece a estrutura do PET e o converte em moléculas menores, como ácido tereftálico e etilenoglicol. Esses produtos podem ser reaproveitados industrialmente, favorecendo uma degradação controlada e voltada à reciclagem química.
Como a PETase atua na degradação do plástico PET?
Do ponto de vista molecular, a PETase se liga à superfície do poli(tereftalato de etileno) e promove hidrólise nas ligações éster. A enzima encaixa o polímero como uma “chave” em “fechadura”, posicionando grupos reativos em pontos estratégicos.
A enzima PETase identifica e se liga à superfície rígida do plástico PET.
O sítio ativo da enzima se deforma levemente para “encaixar” a cadeia do polímero.
Ocorre a hidrólise: a enzima quebra as ligações éster que mantêm o plástico unido.
O plástico sólido vira monômeros líquidos prontos para virar novo PET.
Como a PETase pode impulsionar a reciclagem do PET?
A PETase viabiliza processos de reciclagem química, que convertem o plástico em seus monômeros originais. Esses blocos podem ser purificados e usados para produzir novo PET ou outros materiais de alto valor.
Os produtos obtidos podem alimentar cadeias de plásticos de qualidade virgem, intermediários para fármacos, insumos para biocombustíveis avançados e resinas especiais. Assim, a enzima favorece modelos de economia circular baseados no reaproveitamento contínuo do PET.

Quais desafios limitam o uso da PETase em larga escala?
Para aplicação industrial, é preciso aumentar a estabilidade da enzima em diferentes temperaturas, elevar a eficiência frente a grandes volumes e reduzir custos de produção. Plásticos sujos, coloridos ou mistos também dificultam o processo.
Pesquisas em engenharia genética e modelagem computacional buscam variantes mais robustas e rápidas.
A integração com usinas de reciclagem e a comprovação de viabilidade econômica serão decisivas para que essa tecnologia ajude, de fato, a reduzir o impacto do plástico no meio ambiente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)