A cobrança do Novo por saída do Brasil de aliança internacional sobre Holocausto
O requerimento inclui 11 perguntas ao Itamaraty. Entre os questionamentos, os parlamentares querem saber se houve consulta à comunidade judaica
Deputados do partido Novo apresentaram, nesta segunda-feira, 28, um requerimento de informações e uma moção de repúdio na Câmara, cobrando explicações do Itamaraty e criticando o que classificam como uma “reversão ideológica” da política externa.
Os dois documentos foram protocolados por Marcel van Hattem (RS, foto), líder do partido, e pelos deputados Luiz Lima (RJ), Adriana Ventura (SP) e Gilson Marques (SC). Eles pedem esclarecimentos ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre os critérios que embasaram a retirada do Brasil da IHRA e o apoio à ação movida pela África do Sul na CIJ.
O requerimento inclui 11 perguntas ao Itamaraty. Entre os questionamentos, os parlamentares querem saber se houve consulta à comunidade judaica, quais pareceres técnicos fundamentaram as decisões e por qual motivo não há iniciativas semelhantes contra governos como os de Venezuela, Nicarágua, Cuba, Irã ou Rússia, mencionados pelos deputados como responsáveis por violações de direitos humanos.
Para os autores, a mudança compromete a credibilidade internacional do Brasil e pode afetar interesses comerciais e estratégicos. “Essa reorientação da política externa compromete a credibilidade internacional do Brasil e ameaça interesses comerciais, tecnológicos e estratégicos consolidados ao longo de décadas”, afirmaram os parlamentares no texto.
A moção de repúdio foi encaminhada à Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O texto classifica a saída do Brasil da IHRA como um “retrocesso diplomático, ético e civilizacional” e afirma que a decisão foi tomada sem justificativas técnicas, institucionais ou morais.
O grupo também criticou o silêncio do governo sobre o assunto, afirmando que a saída foi confirmada apenas por nota do governo de Israel e repercussão na imprensa.
Os parlamentares destacaram que o Brasil havia reconhecido publicamente o papel da IHRA em 2023 e lamentaram o que consideram uma mudança de postura. “Relativizar a gravidade do Holocausto por conveniência diplomática ou ideológica é inaceitável”, afirmam.
O partido Novo defende que o governo reverta a decisão e retome a condição de membro observador da aliança. A IHRA é composta por 35 países e tem como objetivo preservar a memória do Holocausto e combater o antissemitismo.
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