A cinco dias do segundo turno, PT resgata caso de mansão ligada a Flávio
Parlamentares cobraram investigação sobre imóvel, mas não há comprovação pública de irregularidades atribuídas ao senador
A cinco dias do segundo turno presidencial, o PT voltou a questionar a disputa por uma mansão em Angra dos Reis (RJ), associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesta terça-feira, 20, durante uma coletiva no Salão Verde da Câmara, o líder do partido na Casa, Pedro Uczai (SC), afirmou que o salário de um parlamentar permite viver como integrante da classe média, mas não comprar um imóvel de luxo.
“Com o salário que a gente tem como parlamentar, dá para viver como classe média”, disse Uczai. O deputado, que afirmou estar há 15 anos no Congresso, acrescentou que não conseguiria comprar uma mansão de 6 milhões ou 10 milhões de reais com a remuneração que recebe. “Ou sou corrupto ou sou incompetente. Nenhuma nem outra coisa”, declarou o líder petista.
O subsídio bruto mensal de um deputado federal é de 46.366,19 reais. Além do salário, cada parlamentar dispõe de até 165.806,07 reais mensais para pagar assessores e de uma cota parlamentar que varia de 41.612,55 a 58.474,70 reais, conforme o estado pelo qual foi eleito. Também pode receber auxílio-moradia de até 4.253 reais caso não ocupe imóvel funcional da Câmara. Somados, os valores podem ultrapassar 270 mil reais mensais, embora a maior parte seja destinada a despesas do mandato e não constitua renda pessoal do deputado.
Disputa pela mansão
O caso envolve o jogador Richarlison, que afirma ter investido cerca de 10 milhões de reais no imóvel e diz que não aceitou uma proposta de compra atribuída a Flávio. Segundo o atacante, a posse acabou transferida após uma disputa judicial e administrativa. Ele pediu que a Polícia Federal investigue o caso.
Flávio nega ter qualquer vínculo com a propriedade. Em 2022, afirmou que havia sido incluído no processo como testemunha e que não tinha relação com a disputa. Em 2026, sua assessoria reiterou que o senador não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel.
O advogado Willer Tomaz, ligado à empresa que ficou com a posse da propriedade e apontado como próximo de Flávio, contesta a versão do jogador. Ele afirma que a empresa venceu a disputa judicial e questiona a existência de documentos que comprovem o vínculo anterior de Richarlison com o imóvel.
Suspeitas sem comprovação
Em agosto, Correia apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades na transferência dos direitos de ocupação da propriedade, que pertence ao patrimônio da União. O deputado levantou questionamentos sobre procedimentos da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), incluindo diferenças no andamento de processos administrativos.
Até o momento, não há comprovação pública de que Flávio tenha cometido irregularidades na obtenção da mansão ou interferido nos procedimentos administrativos. Em decisão relacionada a uma ação movida pelo senador contra Correia, a Justiça não identificou, nos documentos apresentados, comprovação de participação de Flávio na obtenção irregular da posse. A decisão, porém, não equivale a um julgamento criminal definitivo sobre todos os fatos relacionados ao imóvel.
A retomada do caso ocorre em meio à intensificação das acusações entre os dois campos políticos na reta final da campanha. Enquanto o PT cobra apurações sobre Flávio, o partido também assinou um pedido de investigação sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger. A apresentação de pedidos de investigação, por si só, não comprova a prática de crimes.
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