A boquinha de Guido Mantega no Banco Master
Ex-ministro da Fazenda atuou para o banco de Vorcaro entre julho e novembro de 2025, período em que exerceu atividades de lobby
O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (foto) como consultor após uma articulação envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), diz o Metrópoles. A remuneração era de R$ 1 milhão por mês, segundo relatos de integrantes da instituição financeira. Os pagamentos podem ter somado ao menos R$ 16 milhões.
Mantega atuou para o banco entre julho e novembro de 2025, período em que exerceu atividades de lobby. Como consultor, ele levou o dono do Master, Daniel Vorcaro, a uma reunião com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro não consta na agenda oficial do presidente.
Participaram da reunião o então CEO do banco, Augusto Lima, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, já indicado para presidir o Banco Central.
A principal missão de Mantega era facilitar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).
A contratação ocorreu após o governo Lula desistir de indicar Mantega para o conselho da Vale. Ele permaneceu como consultor do banco até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição, em novembro.
Relações com o PT
Apesar da proximidade com figuras do núcleo petista, o tom do Planalto mudou nos últimos meses.
Em evento em Maceió, Lula acusou o dono do Master, sem citá-lo nominalmente, de “dar um golpe de mais de R$ 40 bilhões” e afirmou que “falta vergonha na cara” de quem o defende. Rui Costa estava no palanque.
Registros oficiais mostram que Mantega esteve ao menos quatro vezes no Planalto em 2024, sempre recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
As agendas citam apenas “encaminhamento de pauta” e descrevem Mantega como “ex-ministro do Ministério da Fazenda”, sem menção ao Banco Master.
Jaques Wagner negou ter indicado Mantega ao banco. Em nota, sua assessoria afirmou:
“O senador Jaques Wagner não participou, em nenhum momento, da contratação de Guido Mantega pelo Banco Master.”
Depoimento de Vorcaro
Daniel Vorcaro afirmou em depoimento à PF que não utilizou influência política em seus negócios. Disse que suas relações com autoridades são institucionais ou pessoais e declarou:
“Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa. Também não vejo qual relação com o caso.”
Ao ser informado de que a PF apura suas conexões políticas, respondeu: “Sim, estão estudando as relações políticas, mas elas não tiveram nada a ver com este caso específico do BRB.”
Antes da liquidação do Banco Master, Vorcaro manteve uma rede de influência que tinha o apoio de políticos da Câmara, Senado e no Poder Executivo. No depoimento, Vorcaro não apresentou detalhes das conversas, mas admitiu, por exemplo, que recebeu o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em sua residência.
Leia mais: Vorcaro admite à PF problemas de liquidez e uso do FGC como modelo de negócio
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Comentários (3)
Marian
25.01.2026 16:14É muito dinheiro para salário, honorários ou qualquer outra remuneração.
Marcosrainho.mr@Gmail.com
25.01.2026 15:11FOI COLOCAR O MANTEIGA LÁ, QUEBROU. KKKKKKK
Claudemir Silvestre
25.01.2026 09:31PT = CORRUPÇÃO