99 desiste de mototáxi em São Paulo
Após embate com a gestão Nunes, CEO anuncia que empresa focará em logística e delivery; negociações podem continuar
A plataforma de mobilidade 99 comunicou nesta quarta-feira, em 1º de abril, que não operará o serviço de transporte de passageiros por motocicletas na cidade de São Paulo. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa, Simeng Wang, diretamente ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), encerrando uma disputa que se arrastava havia mais de um ano entre a companhia e a administração municipal.
Com a decisão, a 99 passa a concentrar suas atividades nos segmentos de logística e delivery — o 99 Entrega e o 99 Food —, abandonando a modalidade de mototáxi na capital paulista.
Pressão regulatória e segurança no trânsito
O impasse entre a prefeitura e as plataformas de mototáxi se intensificou ao longo de 2025, quando a gestão Nunes sancionou uma legislação com exigências severas para disciplinar o transporte de passageiros por motocicletas. A medida tornava o credenciamento da 99 nessa modalidade inviável nos moldes planejados pela empresa.
A administração municipal fundamentou sua posição no aumento dos índices de sinistros e nos gastos gerados ao sistema público de saúde: “Nossa preocupação é com a segurança do motoqueiro e do passageiro. Fico muito feliz que vocês entenderam”, afirmou Nunes durante o encontro com o representante da companhia.
O prefeito acrescentou que a complexidade do trânsito de São Paulo demanda investimentos em segurança que tornavam o modelo incompatível com a operação pretendida.
Propostas e possível retomada de negociações
Para retomar o diálogo com a prefeitura, a 99 apresentou um conjunto de medidas voltadas à proteção dos trabalhadores por aplicativo. Entre elas está a criação de pontos de apoio para motociclistas — espaços de descanso e suporte para a categoria —, com a primeira unidade prevista para ser inaugurada ainda em 2026.
A empresa também propôs o compartilhamento de dados com o poder público para a elaboração de um mapa de risco de acidentes, com emissão de alertas automáticos em áreas sensíveis, como proximidades de escolas e hospitais.
Outra iniciativa sugerida é um sistema de avaliação de condutores baseado em telemetria, com monitoramento de aceleração e frenagem. O mecanismo prevê bonificações para quem respeitar as normas de trânsito e exclusão da plataforma para infratores.
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