Trump traiu a Ucrânia de modo vil
Ao negociar o fim da guerra com os agressores russos, excluindo a Ucrânia de um processo que definirá o seu próprio destino, Trump mostrou de que lado está: o lado do invasor, da iniquidade, da injustiça
Temos testemunhado ultimamente, em diferentes contextos, a deterioração de valores e princípios que outrora fundamentaram a ordem mundial liberal.
É lamentável que os Estados Unidos, nação mais representativa da sociedade aberta, estejam agora, sob o governo de Trump, contribuindo para o fortalecimento de um regime expansionista antiliberal e antiocidental.
A postura do atual presidente americano nas negociações para o fim da guerra na Ucrânia expressa desprezo pela soberania e descaso pela segurança futura desse país que tem lutado bravamente pela sua própria existência.
Trump deixou claro que, na sua visão, os dólares investidos na defesa do povo ucraniano seriam apenas um desperdício colossal.
Como homem de negócios que é, vê apenas cifras que se vão, restando míope quanto às responsabilidades dos Estados Unidos em manter a segurança e a ordem internacional.
Ao decidir negociar o fim da guerra com os agressores russos, excluindo a Ucrânia de um processo que definirá o seu próprio destino, Trump mostrou de que lado está: o lado do invasor, o lado da iniquidade, o lado da injustiça.
Donald Trump não se importa com uma paz justa, ele quer apenas uma paz de conveniência. Para obter essa suposta “paz”, a Ucrânia deve ceder seus territórios invadidos, não deve insistir em fazer parte da Otan e deve retirar Zelensky do poder, ou seja, deve capitular, render-se, deixar-se subjugar pela grande mãe Rússia, cujo furor expansionista não parará por aí.
Não é à toa que analogias históricas vêm à mente. No acordo de Munique, assinado em setembro de 1938, a Alemanha foi autorizada a anexar os sudetos, região localizada na fronteira norte da antiga Tchecoslováquia.
Trump tem sido comparado nas redes sociais ao primeiro-ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, que se vangloriou desse acordo, retornando de Munique com a famosa declaração “peace for our time” (“paz para o nosso tempo”).
A analogia é válida e plena de lições: não há política de apaziguamento que dê certo quando se está lidando com personalidades bélicas e psicopatas como Adolf Hitler ou Vladimir Putin.
Li algures, mas já não me recordo onde, o seguinte comentário: não é a Europa que está defendendo a Ucrânia, é a Ucrânia que está defendendo a Europa. É isso mesmo. A brava resistência Ucraniana tem sido um escudo para os delírios expansionistas de Putin.
Mas Trump não dá a mínima para a segurança da Europa, nem se incomoda com delírios expansionistas alheios, desde que não interfira nos seus, pois também os tem, como se pôde constatar por suas bizarras ameaças em relação a Groenlândia e ao canal do Panamá.
O fato é que, em termos de visão de mundo, Trump é mais semelhante a Putin do que aos líderes europeus que, até então, os Estados Unidos tinham por aliados.
A visão política e (i)moral de ambos é que os “grandes players” devem dividir o poder e dominar os os menores, os quais devem se recolher à sua insignificância sem se arrogarem o direito de sequer participarem das discussões que lhes dizem respeito.
Em essência, a abordagem de Trump não só legitima os métodos autoritários de Putin, como também corrobora um sistema global baseado na subordinação dos mais vulneráveis.
A ordem espontânea, a sociedade aberta, a ordem liberal é uma ordem baseada no direito. A ordem almejada por Trump e Putin é a ordem ditada por quem tem poder. É ordem sem princípios éticos e sem senso de justiça. Logo, não é ordem, é caos.
*****
Há 1 ano, O Antagonista já apontava a sabotagem trumpista da Ucrânia no Congresso dos EUA, como se pode ler aqui: Ucrânia passa sufoco com ataques russos, enquanto EUA não definem ajuda.
Assista também ao corte do Papo Antagonista sobre o tema:
– Trump vai deixar a Ucrânia na mão?
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (10)
Daniela_RS
04.03.2025 08:45Mais um excelente artigo de Catarina Rochamonte!! Parabéns!! De fato, tempos sombrios se aproximam, com os EUA se alinhando com o eixo das ditaduras, querendo dividir o mundo entre os fortes e esquecendo completamente os valores que se comprometeram a defender desde a II Guerra Mundial. Trump e Vance estão agindo como toscos autoritários, indignos de muitos de seus antecessores, que enxergavam melhor a geopolítica internacional e o Ocidente com seus valores a serem defendidos. Se Trump não viver tempo suficiente para ver as consequências de suas ações alcançarem seu próprio país, que ele se ilude estar protegido pelo oceano, Vance viverá e há de sofrer essa amargura. Infelizmente, antes disso acontecer, muitas vidas inocentes terão pago pelas decisões erradas de Trump e Vance. Que Deus nos ajude!
Edilene Barreto
24.02.2025 22:57Excelente artigo !!
FRANCISCO JUNIOR
24.02.2025 22:11Excelente texto.
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
23.02.2025 23:01É bem evidente, para os que conhecem história o paralelo entre o que aconteceu com a Tchecoslováquia em 1938, quando foi oferecida na bandeja pelos franceses e britânicos, e agora com o que faz Donald Trump. Ele está mostrando bem o seu lado, e talvez interesses pessoais estejam sendo colocados acima dos interesses do país. Talvez se entenda até com a China e aí Taiwan já era. Está chegando o momento em os chineses ocuparão aquela ilha e haverá apenas protesto formal dos EUA.
Jorge Irineu Hosang
23.02.2025 16:40Esse plano já se iniciou faz muito tempo, lembram como quando Trump era presidente sabotou as reuniões da OTAN, pois bem, por conta disso, não só Ucrânia como também Suécia não ingressaram no Tratado. Isso que ele e Putin estão fazendo, é pilhagem pura, estão discutindo o espólio do País e acusando o Presidente de lá ser um Comediante e por isso ser culpado!! Oras e o Trump era o quê (??), senão dono de cassinos e apresentador de programas de TV!! As insinuações de Trump, que muitos tem aplaudido, acerca de Canadá, Groelândia e o Panamá, são indícios da intenção de uma política expansionista. Assim como a Rússia, certamente não irá parar na Ucrânia, E depois disso, será que a China assistirá os dois Países saírem às conquistas e invasões sem fazer nada, sem iniciar também uma campanha expancionista?? Essa penumbra me faz crer que tempos sombrios se avizinham!! E o Brasil deveria ficar atento, porque quando Trump fala de querer as terras raras da Ucrânia, isso soa como um alerta vermelho para o Brasil, que tem forças Russas baseadas na Venezuela faz tempo. Se era impensável os EUA se alinhariam a Rússia, é difícil não pensar que Trump não seja um impostor a serviço de Putin. Não consigo crer que todos os valores ocidentais por séculos propagados pelos EUA estejam sendo postos de lado em favor de um louco que sonha ser um Czar. O que mais me assusta, é a sandice das pessoas ao dizerem se tratar de uma disputa entre direita e esquerda, aplaudindo e tentando justificar com argumentos patéticos as ações de ambos, enquanto vemos tiranos sobrepor a soberania de países e subjugarem nações. Não estaria o desmonte da ONU, também na base deste plano??
Guilherme Rios Oliveira
23.02.2025 12:17Concordo plenamente com o artigo, brilhante mais uma vez!!!
Washington
23.02.2025 11:01Excelente artigo: forte e certeiro. Trump é traidor, cruel e canalha: uma peste.
Sergio Cesari
23.02.2025 08:04Muito bem escrito, um vergonha essa atitude.
Denise Pereira da Silva
23.02.2025 07:19Excelente artigo. Trump age como Putin, sem qualquer pudor. Suas ações em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia me fez logo lembrar das ações de Chamberlain, que só fizeram incentivar Hitler a seguir adiante invadindo e tomando territórios. A Europa está em perigo eminente de guerra. Tomara que desta vez reajam a tempo de evitar uma catástrofe maior.
LUCIANA SOARES VIGA
22.02.2025 20:04Trump e USA terão um destino trágico, ao se aliar a Ditadores imperialistas… o povo é quem vai pagar. Trump ta cortando os custos (orçamentos) inclusive da inteligência e da defesa. A arrogância precede à queda. E o final dessa história nao vai ser nada bonito.